Ode Triunfal e Aquecimento Plástico

Nota à la Minuta
Terça-feira, 22 Janeiro 2019
Ode Triunfal e Aquecimento Plástico
  • Alberto Magalhães

 

 

Vamos então aos desabafos, ainda sob o signo da Lua Vermelha. De cinzento, antes do 25 Abril, este país foi-se colorindo, às vezes com demasiada liberalidade até. Cenas de sexo, bastante explícitas, nas matinés televisivas de sábado ou domingo, dão testemunho disso mesmo. Mas três singelos versos da Ode Triunfal de Pessoa, ou melhor, do seu heterónimo Álvaro de Campos, têm vindo a ser obliterados desde o tempo da outra senhora, seja 1944, dos manuais escolares.

A Porto Editora nega censura e diz que se trata apenas de uma “preocupação didáctico-pedagógica”. Os mancebos e donzelas de 17 e mais anos, segundo um celebrado pediatra, “não têm maturidade” suficiente para compreender e encaixar estes versos – como direi? – demasiado porcalhões! Para tudo o resto, estão mais que prontos.

Cândida Pinto, que eu sinceramente considero uma das melhores repórteres da televisão portuguesa, teve um deslize, muito significativo, no Jornal da Noite da SIC, no domingo passado. Falava ela de Donald Trump, quando se referiu à sua teimosia em negar as alterações climáticas apesar de, na Ásia, os oceanos estarem visivelmente atulhados de plástico.

Em primeiro lugar, existem cépticos àcerca do aquecimento global e cépticos àcerca da origem humana desse putativo aquecimento. Mas, que exista cepticismo sobre a poluição dos oceanos, nomeadamente sobre o dramático problema dos plásticos, não tinha dado por isso. Que uma jornalista competente misture aquecimento com plásticos, diz bem da confusão e intoxicação que por aí ciranda.

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