Onde está a silly season?

Nota à la Minuta
Sábado, 06 Agosto 2022
Onde está a silly season?
  • Alberto Magalhães

 

 

É caso para ter saudades das silly seasons de antanho, quando, aparentemente, todos iam de férias e os media tinham dificuldade em encontrar notícias sérias para oferecer. O mundo está cada vez mais perigoso e já se torna difícil ignorar ou disfarçar as nuvens negras cada vez mais próximas de nós.

Será que a visita de Nancy Pelosi a Taiwan foi uma provocação desnecessária e perigosa, ou foi a resposta possível à declaração de Xi Jinping de que não quer deixar aos seus sucessores a tarefa da reunificação, tornando mais ou menos óbvia a intenção de invadir a ilha nos próximos cinco anos? Para já, assistimos a exercícios militares chineses a toda a volta da ilha, num claro bloqueio naval que, se prolongado no tempo, poderá prejudicar, e muito, a economia Taiwan. Os ‘amantes da paz’, que têm condenado a resistência ucraniana contra a agressão russa, certamente encontrarão motivos para culpar Pelosi por ter ‘picado’ Xi Jinping e verão com bons olhos a rendição da democracia de Taiwan à ditadura de Pequim.

Em Portugal, uma das notícias preocupantes da semana (veio no Expresso), diz-nos que, desde o princípio do ano até Julho, têm morrido, todos os meses, mais de 10 mil pessoas. Diz-nos também que, para encontrar um padrão semelhante, temos de recuar 100 anos, a 1923. Pois, se somos um país cada vez mais envelhecido, não é de espantar que morra cada vez mais gente. É uma explicação. O calor exagerado e a Covid-19, também são muito falados como explicações. Acrescento a hipótese de a pandemia ter deixado sem resposta muita gente com outras patologias.

Como nota de rodapé, há que dizê-lo com frontalidade: se o empresário Mário Ferreira teve disponíveis os muitos milhões de euros que lhe permitiram ser o primeiro português a fazer turismo espacial, ainda bem que desistiu dos 40 milhões do PRR. Parecia mal.

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