Os abusos na Igreja

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 10 Maio 2019
Os abusos na Igreja
  • Alberto Magalhães

 

 

“Ninguém cria uma comissão, por exemplo, para estudar os efeitos do impacto de um meteorito na cidade do Porto. É possível que caia um meteorito? É. Justifica-se uma comissão dessas? Porventura não”. Foi assim que D. Manuel Linda, o bispo do Porto, negou a oportunidade de criar, na sua diocese, uma Comissão de Protecção de Menores semelhante à que surgira no patriarcado de Lisboa, no âmbito do combate à praga dos abusos sexuais no seio da igreja católica. Também D. António Couto, bispo de Lamego, terá dito, na mesma ocasião em finais de Abril, que não vale a pena criar um grupo de trabalho específico para “tratar um assunto que não existe”.

Ontem, nem 15 dias decorridos, o Papa Francisco, na carta apostólica “Vós sois a luz do mundo”, impõe a criação, no prazo de um ano, em todas as dioceses ou comuns a várias dioceses, de estruturas semelhantes à criada em Lisboa por D. Manuel Clemente, para lidar com as denúncias, não só de abusos como também de encobrimento de abusos.

Na carta apostólica, Francisco obriga todos os sacerdotes, religiosos e religiosas, a denunciarem os abusos sexuais de que tenham conhecimento, incluindo a distribuição de pornografia com menores, sejam antigos ou recentes, com excepção do que estiver sujeito ao segredo da confissão.

Veremos se, com mais este aperto do Papa, começam a cair meteoritos onde menos eram esperados.