Os ataques à democracia

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 26 Abril 2019
Os ataques à democracia
  • Alberto Magalhães

 

 

Não bastava já a eleição de Donald Trump nos EUA; a vitória do Brexit no Reino Unido; a democracia iliberal teorizada por Orban, na Hungria, e posta em prática também na Polónia e na Turquia; a vitória do Cinco Estrelas, fundado por um palhaço de verdade, na Itália; a eleição de Bolsonaro, no Brasil; e a recente eleição, por esmagadora maioria, de um actor cómico para presidente da Ucrânia. Teremos ainda, é quase certo, a incrível ascensão do Vox, de verdadeira extrema-direita, nas eleições espanholas deste fim-de-semana.

Não parece haver dúvidas de que, tal como nos anos 30 do século passado, a democracia está sob ataque cerrado. Mas atenção! Se é absolutamente necessário que os democratas cerrem fileiras contra os populismos fascizantes, não menos importante é que corrijam as fraquezas do sistema, que permitem as desigualdades crescentes, as bolhas partidárias, isoladas dos eleitores e fechadas à renovação exogâmica, e os grandes e pequenos actos de corrupção.

Mudando de assunto, ou talvez não. Um tal de Sérgio Moro, que enquanto juiz mandou prender Lula da Silva, abrindo caminho a Bolsonaro, e agora é seu ministro da Justiça, veio a Portugal de visita e chamou “criminoso” a José Sócrates, que nem sequer começou a ser julgado. Aparentemente, este “irmão” brasileiro foi juiz e é ministro, mas não aprendeu o bê-á-bá do Direito e da boa educação.

Também me chocou ver três deputadas do BE, Catarina Martins e as irmãs Mortágua, numa manifestação a entoar: “Oh, meu rico Stº António/ Oh, meu santo popular/ Leva lá o Bolsonaro/ Para o pé do Salazar”. O homem sempre é presidente de nossos irmãos e ainda pode pensar-se que estiveram metidas no atentado de que foi vítima. Haja decoro institucional.

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