Os desvios de vacinas

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 29 Janeiro 2021
Os desvios de vacinas
  • Alberto Magalhães

 

 

Para que conste. Administradores da Fundação proprietária do lar de Reguengos de Monsaraz, tendo à frente José Calixto, também presidente da Câmara; Francisco Araújo, presidente da Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez e provedor da Misericórdia local; Manuel Ruas, provedor da Misericórdia da Messejana e sua vice-provedora Alda Batista; Natividade Coelho, Directora do Centro Distrital de Setúbal da Segurança Social, mais 125 funcionários. Todos vacinados contra a Covid-19, abusivamente, antes de chegar a sua vez, de acordo com o Plano de Vacinação legalmente estabelecido. Também no INEM, além do pessoal considerado prioritário, administradores, directores e funcionários, aproveitaram 92 sobras para se vacinarem.

Francisco Ramos, acha tudo isto inadequado. Mesmo havendo sobras, a regra – diz ele – é administrá-las a grupos prioritários. Mas, há dias, o brilhantínico secretário de Estado Adjunto e da Saúde, a propósito de Reguengos, desautorizou o líder da task force para a vacinação, mostrando-se compreensivo com o abuso de Calixto.

Resumamos: quem elabora a lista de pessoas a vacinar num determinado lar, é a direcção desse lar. Não tendo como confirmar a informação e considerando que essa tarefa cabe às instâncias da Saúde, a Segurança Social faz fé. As ARSs, considerando que quem tutela os Lares é a Segurança Social, aceita as listas de candidatos à vacina e… nada verifica. Faz fé! Nunca se viu, aliás, tanta fé no bom senso e na honestidade dos cidadãos como neste assunto das vacinas.

Na segunda-feira, ainda não se sabia da missa a metade, mas já com vários jornalistas criminosos, perdão, jornalistas curiosos à perna, à saída de uma reunião com a task force para as vacinas, Marta Temido, a ministra quase mártir, informou o seguinte: “Foram discutidos mecanismos que irão ser estabelecidos para a avaliação de situações de desvio”. Longe de mim atrever-me a sugerir que esses mecanismos deveriam ter sido estabelecidos à partida. Nunca ninguém passou por isto e a ministra não adivinhava que haveria tentações, abusos e desvios. Pois!

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