Os dias da Rádio

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 20 Abril 2023
Os dias da Rádio
  • Alexandra Moreira

 

A Rádio Diana comemora o 37.º aniversário no próximo dia 22 de abril; nessa data, em 1986, foi aprovado o respetivo estatuto editorial cujas marcas identitárias são a independência e o pluralismo de ideias, uma missão quase impossível para uma rádio local, mas que a Rádio Diana vem cumprindo honrosamente.
Nesse mesmo ano em que a expressão eborense expandia a sua voz além-fronteiras, por ondas hertzianas, Portugal aderia à então CEE, abrindo-se à comunhão dos destinos europeus.
A data antecipa em três dias as comemorações da “Revolução dos Cravos”, feliz acaso de coerência histórica atento o decisivo papel da rádio na antecipação e promoção da retoma das liberdades democráticas em Portugal.
Foi através da rádio que os portugueses puderam saber e acompanhar o que se estava a passar em Lisboa, na manhã de 25 de abril de 1974.
Era eu uma miúda com idade de um dígito só, mas recordo-me perfeitamente do meu saudoso pai, professor do liceu e do Colégio de Portalegre, exibindo um raro e efusivo entusiasmo, agarrado ao rádio, e gritando para a minha mãe “Oh Melinha, anda cá, olha que está a acontecer uma revolução em Lisboa!”. Durante largos dias, as crianças não puderam ir à escola, o que, na altura, me pareceu sinal evidente de que estávamos no rumo certo…
A rádio tem igualmente responsabilidades determinantes nas sucessivas reconquistas da paz na Europa, instrumento fulcral das forças aliadas e dos movimentos civis de resistência.
Durante décadas, a rádio foi perdendo a dominância, perante a hegemonia da imagem e dos programas visualmente espetaculares para entretenimento das massas.
Nas últimas duas décadas voltou a ganhar protagonismo com a extensão ao mundo digital e às plataformas online, recursos que tem conseguido aproveitar melhor do que qualquer outro meio de comunicação social tradicional. Segundo diversos estudos recentes, os portugueses estão a ouvir mais rádio e durante mais tempo.
No ano passado, o PAN apresentou um projeto de lei com vista ao reconhecimento da importância da rádio no nosso país, designadamente, pela inclusão dos operadores de radiodifusão no leque das entidades beneficiárias das quantias de apoio aos autores e detentores de direitos conexos nas vendas ao público de aparelhos e suportes que permitem a reprodução das emissões, e bem assim, por inclusão de um representante do setor da Rádio no Conselho Nacional de Cultura. Essa iniciativa contou apenas com os votos favoráveis do próprio PAN e do BE, o que é bem sintomático do desprezo parlamentar geral por esta matéria.

Por outro lado, a inovação tecnológica é o garante da sobrevivência das rádios locais, já o sabemos, as quais enfrentam as maiores dificuldades em singrar num mundo globalizado, regido pelos canais dominantes.
A voz mais próxima das populações, que as exprime e lhes devolve acrescento qualitativo, é algo que as políticas públicas têm que encarar como culturalmente prioritário. Infelizmente não é o que tem acontecido.
Basta lembrar que, só no dia 24 de março último, foram publicados os diplomas legais que definem o montante total das migalhas do Estado à comunicação social regional e local relativamente a 2022. Ora, não é com pouco mais de um milhão de euros que os media locais de todo o país se conseguem revitalizar.
A rádio é companheira próxima e disponível, facilmente acessível, em qualquer local, a qualquer hora. É uma amiga complacente, não exige toda a nossa atenção, não nos transforma em recetores passivos e, ainda, estimula a nossa interação reflexiva.

À Rádio Diana, os meus parabéns e votos de continuação de muito sucesso!

A quem me segue, até para a semana!

 

 

 

 

 

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