Os enfermeiros e a paridade

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 17 Outubro 2019
Os enfermeiros e a paridade
  • Alberto Magalhães

 

 

Não será a primeira vez que uma medida, pensada para fazer hipotética justiça a um grupo minoritário ou alegadamente oprimido, acaba por, perversamente, se voltar contra esse grupo. Sobretudo quando os legisladores são canhestros e não acautelam interpretações absurdas do que aprovaram.

Veja-se o caso das eleições de 6 de Novembro próximo, para os órgãos dirigentes da Ordem dos Enfermeiros. A comissão eleitoral, depois de consultar a CIG, Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, decidiu excluir a candidatura aos órgãos nacionais da lista D. O motivo? O motivo é bizarro: a lei da paridade, aprovada no Parlamento em Março, exige uma representação equilibrada nos órgãos dirigentes da Administração Pública, que o mesmo é dizer, exige quota mínima por sexos.

Ora, a lista D, apesar de ter um enfermeiro como candidato a bastonário, sofre de um claro desequilíbrio: 7 mulheres, para 3 homens. Quando a lei exigiria, pelo menos, 4 homens.

Claro que o absurdo das quotas, neste caso, salta à vista. Numa profissão em que há mais de quatro mulheres para cada homem – mais exactamente, 83,5% dos profissionais são do sexo feminino – a “representação equilibrada” não passa de mais uma anedota inventada por mentes desequilibradas.

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