Os falsos prioritários

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 26 Março 2021
Os falsos prioritários
  • Rui Mendes

 

 

Volto a um tema a que já tinha dedicado uma crónica no passado dia 5 de fevereiro.

E faço-o porque no passado domingo a ministra da Justiça, em entrevista ao jornal Público, ter entendido pronunciar-se sobre a questão da vacinação de indivíduos que não pertenciam a grupos prioritários, utilizando a sua posição ou cargos para beneficiarem da vacinação num tempo que não lhes era devido, evidentemente em prejuízo daqueles que deveriam, desde logo, ter sido vacinados.

Referiu a ministra que: “No caso das vacinas, não será muito fácil fazer uma avaliação do ponto de vista criminal”.

Com esta afirmação não deixa de pressionar as autoridades que se encontram a investigar, desvalorizando a investigação. É como quem diz, para quê investigar se não existirá matéria criminal. É, à partida, o considerar uma perda os recursos e o tempo gasto com a investigação.

Com esta afirmação a ministra da Justiça até parece querer menosprezar os atos praticados, até parece querer branquear todas as irregularidades que foram cometidas.

Para mais não se entende qual a razão que levou a ministra a pronunciar-se sobre uma matéria que está em investigação.

Competirá, pois, à investigação, tanto quanto julgamos saber apenas a cargo do PJ, apurar as circunstâncias em que as vacinações indevidas aconteceram, fazer a devida avaliação, assim como perceber que tipo de delito foi praticado, se houve corrupção, se recebimento de vantagem, se tráfico de influência, se um outro, ou se nada disso aconteceu.

Mas, só após concluída a investigação é que se apura o que aconteceu. Só após a investigação é que se poderá concluir sobre a robustez e existência de matéria criminal. Nunca antes.

A pronúncia da ministra da Justiça sobre esta matéria é incompreensível e imprópria no tempo.

A posição da PGR é certamente aquela em que todos os portugueses se revêem. Entende a procuradora-geral da República que todos os casos suspeitos devem ser investigados pela PJ, e que se trata de uma investigação com prioridade máxima. Entende desta forma porque foi grave o que aconteceu.

Esperemos, pois, ver, tão rápido quanto possível, os resultados desta investigação, como esperemos que esta matéria não caia no esquecimento, devendo reprovar-se qualquer desvalorização que seja feita a qualquer um dos casos suspeitos em investigação. Se são suspeitos é porque se desconfia de práticas irregulares.

Não deixemos impunes os responsáveis por tais atos.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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