Os ilusionistas e os que se deixam iludir

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 09 Maio 2019
Os ilusionistas e os que se deixam iludir
  • Eduardo Luciano

 

 

A propósito da contagem do tempo de carreira dos professores, veio à superfície a natureza de PS, PSD e CDS.

O governo entendeu por bem encenar uma crise política a propósito dos trabalhos parlamentares, que concluíram pela recuperação integral do tempo de serviço colocado no congelador pelos diversos governos, ameaçando com a demissão e a dramatização da vida política em ambiente eleitoral.

PSD e CDS que tinham acordado na recuperação integral vieram logo a seguir dizer que afinal não era bem assim, um afirmando que a coisa era para os próximos 50 anos e o outro colocando a condição de tal recuperação se fazer segundo os ditames das regras da União Europeia.

Este exercício permitia aos partidos da direita dizerem-se ao lado dos professores e ao mesmo tempo tornarem inútil e ineficaz a decisão de recuperar a totalidade do tempo de serviço.

O PCP recusou e bem alinhar nesta jogada onde a demagogia desempenha o papel central, assumindo que não votará favoravelmente as condições impostas pela direita e que na prática inviabilizariam a efectiva e justa reposição do tempo de serviço.

Fê-lo por uma questão de coerência e por se recusar a alinhar numa estratégia de engano dos professores.

As imposições de PSD e CDS fazem lembrar aquela velha história do homem que vendia mel por um euro o quilo na condição do pagamento ser antecipado e a entrega se realizar apenas quando a quantidade de mel necessária estivesse disponível. Questionado pelos clientes sobre quando isso aconteceria, respondia sempre com um ar responsável: não sei, ainda só tenho uma abelha.

Aos que dizem que seria melhor votar com a direita essas imposições e garantir desde já que o tempo é contado na totalidade que depois logo se via, lembro que daqui a 50 anos não estarão a exercer a profissão e que se ficarem a depender de regras e critérios vindos da União Europeia a decisão será efectiva no dia de são nunca à tarde.

A solução é simples aprovar a recuperação do tempo sem reservas, negociar depois a sua aplicação sem condições nem limites à partida.

E perante essa proposta, PS, PSD e CDS irão unir-se para impedir a sua aprovação e só há uma conclusão a tirar: retórica à parte, estão todos do mesmo lado no que toca à contagem do tempo de serviço dos professores.

Até para a semana