Os insurgentes

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 22 Março 2021
Os insurgentes
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Estamos em ano de eleições para as autarquias locais e, como o Povo já está habituado, é ver o desassossego dos presidentes de câmara – e nalguns casos até das juntas de freguesia – a tentar mostrar serviço para ganhar a reeleição.

É uma técnica velha guardarem as obras de encher o olho e que não fizeram ao longo do ou dos mandatos anteriores, e as promessas de obras futuras para o último ano do mandato, criando assim nos eleitores mais distraídos a ideia de que há muito trabalho feito e, claro, se votarem no presidente de camara em exercício, no próximo mandato mais obra haverá ainda.

Basta passarmos os olhos pela comunicação social local e regional dos últimos dias para ver os anúncios, às vezes repetidos, e ficarmos a saber que em Reguengos acabaram as obras de requalificação da praça da Liberdade e que a Camara vai apoiar 41 associações do concelho, que Viana está a arranjar a rotunda 25 de Abril e a modernizar as vias de comunicação, Arraiolos vai, no futuro, recuperar a antiga estação de caminho de ferro para instalar uma unidade hoteleira e, no entretanto, oferece kits de protecção à população e que Montemor vai fazer obras numa escola do 1º ciclo.

Mas o que se passa Évora não muito é diferente, a não ser na dimensão e na sofisticação dos meios usados para a propaganda.

Só numa semana o Sr Presidente da Camara fez noticia, começando por um “comunicado” sobre a rede viária do concelho em que a par do relato das dificuldades financeiras herdadas fez o anúncio de que agora é que tudo vai melhorar, o que ainda não fez vai fazer: Ele é o reforço de equipas, a contratação de mais pessoal, contratações para obras e limpezas, tudo investimentos que irão atingir os 500.000 euros!

E depois, nos dias que se seguiram, vieram as notícias de repavimentação no cruzeiro do Granito, e as fotografias publicadas na página da Camara no Facebook a mostrar o executivo a acompanhar as obras, mais noticias repetidas sobre as obras em curso de nivelamento de passadeiras e regularização de pisos no Centro Histórico.

Este executivo municipal está em funções há quase 8 anos e se a situação financeira do município era má, 8 anos é muito tempo e as obras que estão em curso não são obras estruturantes, de fundo, são obras de manutenção que rotineiramente uma Câmara Municipal deve fazer para melhorar a mobilidade e não deixar estradas e caminhos chegarem a um estado calamitoso como aconteceu com a estrada de Santa Susana.

Bem pode, por isso, o Sr Presidente da Camara vir anunciar que vai fazer agora o que deveria ter feito ao longo do mandato, bem pode anunciar que está a negociar financiamento para a recuperação dos celeiros da EPAC, da ordem dos 1 milhão e duzentos mil euros, mas o certo é que há muito mais que devia ter feito e que não fez.

Não fez em matéria de rede viária e de melhoria da mobilidade, como não fez noutras áreas da governação municipal.

Basta ver o que foi feito em matéria de habitação para as classes mais desfavorecidas e para a classe média. Quem procura habitação em Évora bem conhece as dificuldades em arranjar uma casa a preços comportáveis e sabe que no que toca a habitação pública a Camara Municipal e a Habévora pouco fizeram e esta Câmara não tem, de facto, projecto.

Mesmo 1 milhão e 230 mil euros que o Executivo Municipal investiu ao longo dos 7 anos de mandato na recuperação de habitação social, é um esforço muito baixo e insuficiente porque falamos de 7 anos, e basta dizer-se que é afinal o mesmo que o Sr Presidente prevê gastar só na recuperação dos celeiros da EPAC.

Entrar por este caminho de fazer obra à pressa em véspera de eleições e anunciar obras futuras não dignifica o poder autárquico e, no fundo, desrespeita os munícipes, porque mais não é que vender gato por lebre.

Até para a semana!

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