Os mais novos escusam de ter medo?

Nota à la Minuta
Terça-feira, 28 Abril 2020
Os mais novos escusam de ter medo?
  • Alberto Magalhães

 

 

Referi, ironicamente, no dia 10 de Abril, que os velhos deste país tinham de ser de cepa rija, já que, apesar de todas as condições adversas, as mortes por coronavírus entre os utentes de lares de idosos, constituiriam, oficialmente, apenas 15% do total de mortes com covid-19. Quinze dias depois, o número está corrigido para 40%, número mais compatível com a real situação de fragilidade dessa gente.

Vem isto à colação, por causa do, cada vez mais falado, desconfinamento. É preciso desconfinar cautelosamente, gradualmente, sempre atentos. É preciso manter os cuidados, mas ir abrindo as actividades económicas, antes que meio país esteja na fila do Banco Alimentar da Srª D. Isabel Jonet. Para agravar as dificuldades, as pessoas estão com medo de sair e voltar aos locais de trabalho, sobretudo de transportes públicos. Pois se durante semanas lhes disseram que as máscaras não protegiam, antes pelo contrário, e que manter as distâncias era fundamental.

Menos divulgados, os números que podem reduzir o medo de mandar os filhos à escola (até agora não morreu ninguém com menos de 40 anos) e o medo dos jovens adultos se desconfinarem (entre os quarentões morreram 5 homens e 5 mulheres e entre os cinquentões, 20 homens e 6 mulheres). Dito de outra maneira, com menos de 70 anos morreram 116 pessoas, a maioria sexagenários. Com 70 e mais anos contaram-se 812 óbitos. Não custa perceber que o verdadeiro busílis da questão, agora, é tratar de evitar que os mais novos contagiem os mais velhos, enquanto retomam as actividades produtivas.

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