Os malucos da pandemia

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 26 Março 2021
Os malucos da pandemia
  • Alberto Magalhães

 

 

O juiz Rui Fonseca e Castro, um dos organizadores da manifestação anti-confinamento (ou negacionista, como lhe chamam alguns), faz lembrar aqueles juízes de filme americano, com uma concepção de Justiça muito peculiar, tão peculiar que acaba por ser ostensivamente ilegal. Colocado este mês no tribunal de Odemira, depois de uma interrupção na carreira para exercer advocacia, o homem mostrou-se fecundo em arranjar problemas, culminando na interrupção de um julgamento urgente de um caso de violência doméstica, sob pretexto de o procurador e o escrivão se recusarem (e bem!) a retirar as máscaras, apresentando-se ele de rosto bem destapado.

Temos então um juiz que se recusa a cumprir a lei, aprovada na Assembleia da República, com base no Estado de Emergência decretado pelo Presidente, nos termos da Constituição. Pior, que se sente no direito de coagir os outros a segui-lo, no que acha ser o seu direito de resistência. Isto depois de ter ajudado a organizar uma manifestação onde a maioria não usou máscara, nem manteve distanciamento, e só não rendeu uma boa maquia ao Estado em multas, porque a polícia achou por bem não ajudar à festa, provocando um motim. Entretanto, o homem dá uma entrevista em que afirma que o país é governado por uma “associação de malfeitores”, só faltando dizer que o mundo é governado por uma seita de pedófilos, que se reúnem na cave de um famoso café ao Chiado.

O juiz foi suspenso preventivamente, enquanto decorre um processo disciplinar, imposto pelo Conselho Superior de Magistratura. Mas os “juristas pela verdade”, de que foi um dos fundadores, os “médicos pela verdade”, os combatentes anti-vacinas, e outros desvairados, continuarão a proliferar tanto mais, quanto os erros de acção e comunicação forem sendo acumulados por quem manda.

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