Os maus polícias

Nota à la Minuta
Terça-feira, 22 Novembro 2022
Os maus polícias
  • Alberto Magalhães

Ao longo de vários meses, um consórcio jornalístico identificou quase 600 agentes e oficiais da PSP e da GNR, em grupos fechados das redes sociais, com incitamentos à violência – nomeadamente sobre grupos étnicos, mas também sobre políticos – e aquilo que os autores da investigação chamam “uma longa lista de crimes públicos, bem como dezenas de infracções muito graves aos seus códigos de conduta e estatuto profissional.”

Querer generalizar estas condutas para um conjunto de 40 mil agentes é, obviamente, um absurdo erro de percepção. A maioria dos elementos das forças de segurança pensam como a maioria dos portugueses: as polícias estão mal pagas, têm poucos instrumentos para se fazerem respeitar e, em situações violentas, têm problemas de autodefesa, graças à permissividade da lei para com quem a despreza e não a quer cumprir. A maioria esmagadora dos agentes da autoridade são pessoas cordatas e bem formadas, não racistas empedernidos e sádicos torturadores.

O que dá que pensar é a ineficácia dos serviços inspectivos das polícias e também, obviamente, dos serviços de informações da República. Por que carga de água tiveram de ser jornalistas a organizar a investigação aos subterrâneos da extrema-direita policial? Na berlinda, como é evidente, ficam também as altas chefias da PSP e da GNR. Não sabiam de nada? Incompetentes! Sabiam e nada fizeram? Coniventes! Seja como for, tenham vergonha e demitam-se.

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