Os nossos candidatos?

Crónica de Opinião
Quinta-feira, 15 Fevereiro 2024
Os nossos candidatos?
  • Nuno do Ó

Estamos hoje a pouco mais de 3 semanas das próximas eleições legislativas, onde iremos eleger os nossos representantes no parlamento nacional, de onde sairá o próximo governo, em resultado do peso que as várias forças políticas terão para encontrar uma solução governativa viável para os próximos anos.
Estamos em fase de pré-campanha, a que se seguirá a campanha oficial, entre 25 de fevereiro e 8 de março. Até ao dia do voto, o que deveremos fazer é questionar e procurar o esclarecimento de todos, para que se possa fazer a melhor escolha, para que não nos venhamos a arrepender mais tarde.
É por isso que observo, sem surpresa mas com bastante desilusão, a ação da comunicação social, que deveria assumir um papel fundamental no melhor esclarecimento de todos nós, para que cada um possa escolher com isenção e com a maior certeza possível, aquele que considera poder vir a ser o seu melhor representante no parlamento nacional. Não é por isso demais sublinhar, que cada um de nós, vota, única e exclusivamente, nos candidatos que se apresentam às urnas, no seu círculo eleitoral. O mesmo quer dizer, que os eleitores de Évora, votam apenas e somente, naqueles que aqui se apresentam como candidatos a representar a região e os seus cidadãos na Assembleia da República, que é como quem diz, votam nos candidatos por Évora e nada mais.
Portanto, como exemplo, nem que todos os votos de Évora fossem para a CDU, nenhum deles serviria para eleger Paulo Raimundo, que concorre como primeiro candidato, mas por Lisboa. É por isso da maior importância que os eleitores conheçam os seus candidatos, aqueles que irão representar e defender a região de Évora e os seus interesses no Parlamento, em Lisboa.
No entanto, o que observo, é que muitas pessoas continuam a desconhecer os seus candidatos, os que agora se apresentam como candidatos ou aqueles que pouco fizeram pela região nos últimos anos. Talvez seja essa mesma a razão para manter a ignorância. Dos deputados eleitos em 2022 pela região, apenas sabemos que entretanto desapareceram nos corredores do poder em Lisboa, que nunca mais lhes pusemos a vista em cima e de cujas bocas, a palavra Évora, poucas vezes terá sido pronunciada.
Era por isso importante, que a comunicação social cumprisse o seu papel informativo, dando a conhecer melhor aquilo que nos espera ou aqueles que nos esperam para representar a região.
Para isso, vemos as televisões nacionais a entrevistar os cabeças de lista, cumprindo os mínimos olímpicos, disponibilizando pouco mais de 25 minutos para cada debate, para que cada candidato possa apresentar o seu programa e as suas soluções para o país. Parece pouco, muito pouco. Talvez seja falta de tempo. Com esta falta de tempo, onde é que poderá caber o país, fora a capital? O país do interior, o país do Alentejo, o país do resto é paisagem, que infelizmente, persiste. A verdade é que, para os comentários e comentadores, escolhidos a dedo, o tempo já parece infinito. Horas a fio, enchendo os ecrãs com notas e classificações para cada debate, análises e dissertações raramente isentas sobre o pouco que os candidatos puderam dizer e discutir, apenas e somente sobre linhas gerais, nada sobre os problemas de fundo do país e muito menos sobre as regiões que o compõem, neste território de inúmeros países e assimetrias. Digamos que um papel muito pouco consentâneo com a importância que o jornalismo e que os jornalistas dizem ter para o tal país.
Mas se este cenário é lamentavelmente pequenino e triste ao nível da comunicação social nacional, no que diz respeito à comunicação social regional, o cenário não é em nada melhor. Tradicionalmente mais tendenciosa e partidária do que ao nível nacional, os meios de comunicação regionais parecem totalmente alheios ao que se passa na sua região, que ultrapasse a medida da notícia diária, inconsequente, do acidente ou do incidente. Num dos momentos mais importantes para a região, deixa-se tudo para os senhores da capital. Por aqui, pouco ou nada se vai sabendo sobre os nossos candidatos, quem são, o que propõem, o que dizem. Poucas ou nenhumas entrevistas, debates também não, conferências de imprensa ou apresentações com poucos ou nenhuns jornalistas e em qualquer caso, sem jornalismo que se veja. Por aqui, pouco ou nada se vai sabendo sobre o que os nossos candidatos pensam sobre a região, sobre o IMI nos Centros Históricos, sobre a desertificação populacional, sobre a representatividade do Alentejo, sobre os investimentos nacionais na região, sobre o que esperam defender para a região, numa demonstração de menoridade, incompatível com o profissionalismo que alguns ainda se atrevem a sugerir, numa atitude que, no mínimo, é insuficiente para acompanhar o que a região precisa e o que os braços produtores da região merecem, o que todos nós merecemos.
E depois, há ainda quem reclame das dificuldades da comunicação social regional. São de facto visíveis e têm muitas razões, algumas das quais têm a ver com o papel que desempenham ou que não desempenham. Talvez seja possível inverter a sorte que se prevê para muitos dos nossos órgãos de comunicação social, como vamos vendo, aqui e ali, como no caso da TSF e de tantos outros. Para isso, seria necessário começar por prestar o serviço básico de jornalismo, absolutamente necessário à democracia e à região. Para isso seria preciso insistir em fazer jornalismo, como deve ser, atento, independente, ativo. Ou então, acabar como órgão oficial do dinheiro e dos poderosos, que às vezes, como se viu, puxam o tapete, certo?
Até para a semana.

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