Os pontapés na política

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 14 Setembro 2020
Os pontapés na política
  • Alberto Magalhães

 

 

Em 2016, quando o ministro João Soares ofereceu umas “bofetadas” a dois colunistas do Público e teve, por isso, de abandonar o Governo, António Costa pontificou: “Nem à mesa do café [os membros do Governo] se podem esquecer de que são membros do Governo”.

Em 2020, a conversa é outra. O primeiro-ministro exige de nós que o deixemos esquecer-se de que continua a sê-lo. Ele quer ser um mero sócio do Benfica que, apenas nessa singela qualidade, aceitou pertencer à comissão de honra do honrado recandidato Luís Filipe, ao lado de mais de 500 outros impolutos benfiquistas. Quanto a Fernando Medina, não lhe dá cuidados a sua obrigação de imparcialidade, face a todos os clubes, grandes e pequenos, que existem em Lisboa.

“Esta matéria não tem rigorosamente nada a ver com a vida política”, disse António Costa. Eu, pelo contrário, penso que tem tudo. Quanto mais não seja, porque Luís Filipe Vieira, para além de ser alegado responsável por uma parte dos malparados do Novo Banco, que todos andamos a financiar, está notoriamente envolvido em vários casos judiciais de aparência grave. Percebe-se bem que Vieira queira um forte respaldo para si e para a sua candidatura. Percebe-se mal que Costa e Medina tenham aceitado o convite e se disponham a ser avalistas da personagem. Ao fazerem parte da sua comissão de honra, alimentam o populismo ‘anti-políticos’ e prejudicam, objectivamente, a sua imagem e a imagem do Partido Socialista.

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