Os portugueses hibernaram?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 24 Fevereiro 2021
Os portugueses hibernaram?
  • Alberto Magalhães

 

 

Ontem, Manuel Carvalho, director do Público, acabava o seu editorial assim: “Portugal, um ano depois da covid-19, é um país que começa a dar sinais de prostração”. Comentava um inquérito do Instituto Superior de Administração e Gestão, onde a maioria esmagadora dos inquiridos mostra, nas palavras do jornalista, “essa propensão dos portugueses para hibernarem, congelando os seus projectos, os seus sonhos e a sua confiança no futuro”.

Bom, a situação não é para menos. Os que têm de trabalhar fora de casa, dão graças por irem mantendo o emprego. Os que o perderam, ou estão em risco de o perder, mercê do confinamento quase geral do comércio e do turismo, têm razões mais do que suficientes para estarem pessimistas, adiarem casamento e filhos, compra de casa e de automóvel. Mesmo os que estão em casa, em teletrabalho, em tendo filhos em carência de atenção e a definhar sem escola de jeito, não têm grandes motivos para festejar.

Acresce que, há quase um ano, os canais televisivos de informação, nos massacram com os números da pandemia, em todo o seu detalhe, hospital a hospital, concelho a concelho, mas também com as opiniões e os comentários de especialistas, que se vão revezando no ecrã em catadupa. Imagens de seringas, de ventiladores, de UCIs. Enche a seringa, espeta a agulha; enche a seringa, espeta a agulha. É um autêntico sufoco.

Só o futebol é que se consegue sobrepôr à pandemia mediática. Uns apontamentos sobre a chegada da sonda americana ao planeta Marte, ou sobre o caos na Catalunha, ou um dislate maior de um Ascenso qualquer, conseguem penetrar no duopólio Pandemia-Futebol. É caso para desesperar.

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