Os positivos e negativos

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 03 Abril 2020
Os positivos e negativos
  • Alberto Magalhães

 

 

No início de mais duas semanas de ‘estado de emergência’, um pequeno balanço do que vai bem e do que vai mal. Bem, a esmagadora maioria dos portugueses, reagindo à pandemia com diligência, inteligência, responsabilidade, solidariedade e criatividade. Os profissionais de saúde, em esforço e sacrifício excessivo e abnegado. Todos os que trabalharam até hoje em serviços essenciais sem protecção adequada, por exemplo nos CTT ou em lares de idosos. Os investigadores que têm procurado soluções para os inúmeros problemas concretos que vão surgindo ao redor do coronavírus. Os empresários que têm reconvertido a produção tecnológica para acudir às necessidades. Os partidos da oposição que têm cooperado responsavelmente. As medidas de âmbito económico, financeiro e social, tomadas pelo Governo, sempre insuficientes, mas sendo sucessivamente ajustadas na boa direcção. O primeiro-ministro, seguro, quer a nível europeu quer internamente, mesmo que por vezes resvale para o tal optimismo irritante. O Presidente da República, que começou mal mas, depois de descansar 10 dias, esteve bem no decretar do ‘estado de emergência’.

Agora o que tem estado Mal. A ilusão de que o vírus chinês não chegaria cá e de que, em chegando, seria semelhante a uma ‘gripezinha’, não foi exclusiva de Trump e Bolsonaro, não. A OMS e a DGS partilharam-na, daí o catastrófico atraso na aquisição de material de protecção, não só para o pessoal de saúde, mas para uso de todos os outros que cuidam de pessoas. Mal, a persistência teimosa em desaconselhar o uso de máscaras, em vez de ensinar os cidadãos a usá-las correctamente e a fazê-las caseiramente. Mal o sorriso persistente (para a fotografia) da ministra da Saúde, em conferências de imprensa onde se anunciam mortos e feridos. Mal, a ministra da Justiça, que só na 2ª feira se lembrou de ‘obrigar’ os guardas prisionais a usar máscaras. Mal, o ministro da Educação que abandonou à sua sorte as crianças mais frágeis e nem sequer foi capaz de montar para elas uma tele-escola de emergência. Mal, a DGS, sempre a correr atrás dos acontecimentos e a tentar tapar o Sol com uma peneira.

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