Os resultados das decisões

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 18 Setembro 2020
Os resultados das decisões
  • Rui Mendes

 

 

Na última crónica abordámos o tema de Portugal ter sido excluído pelo Reino Unido da lista de países seguros dos corredores aéreos, obrigando ao cumprimento de um período de quarentena de 14 dias aquando do regresso aquele país.

Não fosse a importância dos turistas britânicos para Portugal e o tema não teria tanta relevância.

Contudo, o turismo britânico é de particular importância para nós, algo bastante sentido durante o curto período em que o Reino Unido colocou Portugal na lista de países seguros.

Passadas estas semanas, por incrível que pareça, Portugal está novamente excluído da lista, sinal da incerteza e incapacidade em conseguir controlar ou reduzir novos casos de infetados.

Entretanto durante o período das férias fomos assistindo a todo o tipo de decisões e justificações por parte da DGS.

Desde logo ter-se permitido o ajuntamento de milhares e milhares de pessoas em diversos eventos.

Não nos esqueçamos que estamos em período de pandemia, e isso necessariamente deveria obrigar a restrições, particularmente no que se refere ao agrupamento de multidões.

Para a DGS basta arranjar uma qualquer regra, ainda que não faça qualquer sentido, para ter justificação para permitir, ou não, a realização de um qualquer evento. Regras, diga-se, que são criadas ad hoc.

Claro que os custos destas incompreensíveis decisões se pagam. Pagam-se em termos de saúde, porque aumentam os casos.

Pagam-se em termos económicos, porque os efeitos da pandemia na economia são devastadores.

Pagam-se em termos sociais porque esta pandemia vai deixando um rasto, destruindo emprego e criando mais pobreza, e consequentemente aumentando o número de dependentes de apoios sociais.

Pagam-se politicamente porque as pessoas sabem reconhecer quando as decisões fazem sentido, ou quando elas servem para pagar interesses.

Mas após toda esta disponibilidade para permitir a realização deste tipo de eventos por parte da DGS, Graça Freitas vem agora dizer que: “O convívio tem de ser diminuído. Estamos numa pandemia”.

Quererá com isto branquear as decisões entretanto tomadas pela DGS, através das quais se permitiu realizar, entre outras, a Festa do Avante ou a Feira do Livro.

O número de novos casos diários vem num crescendo altamente preocupante e ainda aqui não está, nem poderia estar, os efeitos do início do ano escolar, pelo que nos preparemos para o agravar da situação.

Esta semana o estado de contingência foi aplicado a todo o país.

Cremos que a decisão não foi tomada mais cedo porque o Governo não tinha condições políticas para impedir a realização da Festa do Avante, e era injustificável a permanência do estado de contingência com a realização de um evento que, per si, movimenta vários milhares de pessoas. Afinal o Governo necessita dos apoios à sua esquerda para ter condições para governar.

O estado de contingência diz-nos que nos preparemos porque a pandemia vai acelerar, e que se teme os efeitos que pode causar a entrada do Outono.

Com o estado de contingência implementam-se mais um conjunto de medidas restritivas. Mas atenção, as pessoas não mostram apenas um cansaço perante esta pandemia, mostram também que estão baralhadas com tantas regras, medidas e contramedidas.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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