Os russos e a invasão

Nota à la Minuta
Terça-feira, 29 Março 2022
Os russos e a invasão
  • Alberto Magalhães

 

 

Passado um mês, como encara o povo russo a invasão da Ucrânia? É difícil saber com exactidão. Pensa-se que a maioria dos russos nem saiba da invasão e destruição do país vizinho. Julgará que o exército russo se deslocou à região do Donbass para salvar as populações russófonas do extermínio às mãos de milícias nazis, pois esta é a narrativa servida nos media russos que se mantém a funcionar. Uma numerosa minoria, com maior acesso à informação não filtrada pela censura putinesca, manifesta-se com os pés e tem abandonado a Rússia às centenas de milhares durante este mês. A restante minoria, manifesta-se como pode e vai sendo presa aos milhares.

Depois temos os soldados. Mais de 150 mil. Muitos ainda com a recruta mal feita, informados de que iriam para um grande exercício militar junto da fronteira sul, deram por eles a invadir um país onde muitos terão familiares e amigos. Informam-nos de que vão salvar populações que, afinal, não querem ser salvas por eles, antes os tratam como inimigos, os combatem aliás ferozmente e os tentam matar com grande determinação. Como estará, por estes dias, a moral das tropas? Prevalecerão os que reagem com ferocidade à feroz oposição ucraniana, ou o desânimo de quem se sente, hoje, carne para canhão, enviada para combater numa guerra sem sentido? Haverá muitos que se sintam a lutar por uma causa justa, pela honra da mãe Rússia?

Vi, há dias, um pequeno vídeo, em que um moscovita, segurando uma folha A4 absolutamente em branco, é preso por se manifestar. O grau zero da manifestação, transformado, com arte e sabedoria, na mais-que-perfeita denúncia de um regime totalitário.

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