Os telemóveis ao volante

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 22 Maio 2019
Os telemóveis ao volante
  • Alberto Magalhães

 

 

Em Portugal, é costume atribuir-se os acidentes de viação ao excesso de velocidade e ao excesso de álcool no sangue. Sempre me pareceu que, para manobras perigosas, não é preciso ir de pressa, nem embriagado. Sempre achei que outros factores, mais difíceis de identificar, como a falta de preparação dos condutores, poderiam ter a sua cota-parte de responsabilidades nos desastres.

Outra fonte genérica de problemas rodoviários serão as distracções. Desde a imprevista queda de uma beata acesa, à previsivel queda no sono do condutor exausto, suprema distracção.

Os telemóveis vieram aumentar exponencialmente os casos de distracção fatal. É uma praga. Em 2018, a PSP e a GNR multaram 39.276 condutores por usarem telemóvel ao volante. Mas é claro que a polícia apanha apenas uma pequeníssima parte dos infractores.

Os telemóveis são perigosos, sobretudo, porque parecem inofensivos. Pois, se falamos com a boca e escutamos com os ouvidos, não ocupamos os olhos, nem os braços, nem as pernas. Errado! A distracção provocada por um telemóvel no ouvido é brutal. Pior, muito pior, é ler e escrever mensagens, pois nesse caso até a visão é totalmente anulada e o acidente fica na calha. “Acidente?”, respondeu-me indignado o João Cutileiro, numa conversa de há muitos anos atrás, mas que nunca mais esqueci. “Não são acidentes, são verdadeiros homicídios”.