Palestina Livre

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 04 Junho 2018
Palestina Livre
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Chamava-se Razan al-Najjar. Era palestiniana e tinha 21 anos.

Razan era enfermeira. Trabalhava como voluntária há 10 semanas, tratando os feridos na Faixa de Gaza.

Foi morta no dia 1 de Junho por soldados israelitas enquanto corria para a fronteira para tratar um ferido. Estava identificada pelo seu uniforme branco.

São já 124 os mortos palestinianos e mais de 13.300 os feridos desde 30 de Março, quando começaram as manifestações da “Grande Marcha de Retorno”.

São manifestações de milhares e milhares de palestinianos civis, contra o bloqueio que Israel impôs na Faixa de Gaza, contra o extermínio do Povo desde 1948, perpetrado por Israel, e pelo seu direito a viver na Palestina.

Razan não foi a única paramédica a ser morta desde 30 de Março. Outro enfermeiro foi morto e, segundo o ministério da saúde de Gaza, foram feridos mais de 200 médicos e enfermeiros e as forças israelitas atacaram 37 ambulâncias. Estes são crimes de guerra à luz da Convenção de Genebra, mas Israel recusa qualquer investigação independente e os Estados Unidos obstaculizaram a discussão no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A situação na Faixa de Gaza é critica. Em 360 Km2 vivem 2 milhões de palestinianos, bloqueados, sem poder entrar ou sair da zona, cercados pelo muro ou barreiras de arame farpado. Sem trabalho, com electricidade poucas horas por dia, o que impede a actividade económica, tudo lhes falta.

Mas não é apenas Gaza que está em causa.

Com o objectivo de inviabilizar a existência do Estado Palestiniano, nos últimos tempos Israel têm intensificado a construção de colonatos na Cisjordânia, por forma a controlar mais terras e considerá-las parte do Estado de Israel.

A Grande Marcha do Retorno é por isso também uma mensagem dos palestinianos à comunidade internacional de que não desistem do direito de voltar às suas terras.

À coragem e resistência dos palestinianos o governo sionista responde com o terror. Só no dia 30 de Março foram mortos 16 palestinianos e mais de 2.000 foram feridos por soldados israelitas. Os soldados israelitas disparam indiscriminadamente sobre manifestantes desarmados, homens, mulheres e crianças, numa acção absolutamente desproporcional.

Uma hipotética solução para o conflito israelo-palestiniano ficou mais afastada quando em Dezembro do ano passado Trump tomou a decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel – decisão que tinha já sido tomada mas que não tinha posto em prática.

Para além de violar o Direito Internacional e numerosas resoluções das Nações Unidas sobre o estatuto de Jerusalém, Trump pôs claramente os Estados Unidos ao lado do governo sionista e ficou mais óbvio que Trump e Israel querem uma solução para o conflito, mas que a solução não inclui os palestinianos.

Israel veio de seguida reivindicar Jerusalém como a capital una e indivisível, fazendo tábua rasa das diversas resoluções da ONU.

No dia 14 de Maio quando foi inaugurada a embaixada americana em Jerusalém, morreram 58 palestinianos e mais 2.200 ficaram feridos.

Esta actuação da Administração americana constituiu não apenas uma agressão ao povo palestiniano, com consequências imprevisíveis, mas um enorme perigo para todo o Médio Oriente, já que ocorre num momento em que a tensão aumenta e se assiste a uma escalada militar na região, prenunciando a possibilidade de um enorme confronto.

As autoridades de Gaza têm apelado à comunidade internacional para intervir e fazer parar a morte dos manifestantes civis palestinianos, paramédicos e jornalistas.

Mas apesar da gravidade da situação, apesar de a causa palestiniana ser uma das mais justas lutas de um povo e também ter o mais justificado fundamento no âmbito do direito internacional, Israel prossegue, com a cumplicidade das grandes potências que o sustentam, com os Estados Unidos da América à cabeça, perante a impotência ou hipocrisia da comunidade internacional.

Só uma onda de solidariedade internacional para com a luta dos palestinos poderá travar o massacre em curso e pressionar os governos para que forcem uma solução internacional.

Para esta 4.ª feira, dia 6, às 6 da tarde está marcada uma vigília de solidariedade com o povo palestiniano frente à Câmara Municipal de Évora.

Que junte muitas e muitos por uma Palestina Livre!

Até lá ou até para a semana!

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com