Pandemia e Pulhice Humana

Nota à la Minuta
Terça-feira, 17 Março 2020
Pandemia e Pulhice Humana
  • Alberto Magalhães

 

 

Houve, em Portugal, um corrosivo e combativo humorista, José Vilhena, que escreveu uma História Universal da Pulhice Humana, deliciosamente anti-puritana e demolidora da moral e bons costumes salazarentos. Lembrei-me dele e da sua obra, a propósito de alguns figurões da política internacional e do seu desempenho, no contexto da pandemia actual.

Veja-se Donald Trump. Começou por desvalorizar o coronavírus. Até aí ainda vá, até esteve muito bem acompanhado. Depois percebeu que a coisa era séria e resolveu utilizá-la na sua campanha eleitoral. Prometeu mundos e fundos, para proteger os americanos do vírus estrangeiro. Fechou a porta aos europeus, portadores do bicho diabólico. Mas a sua suprema pulhice foi tentar comprar a uma farmacêutica alemã o exclusivo de uma hipotética vacina.

Veja-se Boris Johnson. Estratégia adoptada quanto ao covid-19: “deixar o vírus circular” para a população britânica ganhar “imunidade de grupo”. Este último conceito aplica-se nas situações em que, com a maioria da população vacinada contra uma doença, os poucos não-vacinados, com sorte, não contactam com ninguém infectado e conseguem escapar-lhe. Como não há vacina contra este vírus, se a pressão social não o fizesse, como parece que já fez, arrepiar caminho, Isabel II teria dezenas de milhões de súbditos infectados, 80% dos quais de forma benigna, 20% com sintomas pesados, dos quais morreriam cerca de dois milhões. Os mais fracos. Adolfo Hitler seria, talvez, mais compassivo com os seus doentes e idosos.

Veja-se também Xi Jimping. Escondeu a gravidade da situação de tal maneira que, a 15 de Janeiro ainda a Dr.ª Graça Freitas, DGS, dizia que o coronavírus não se transmitia pessoa a pessoa e estava confinado aos infectados no mercado de Wuhan. Agora, ele gaba-se de ter contido a epidemia na China e queixa-se do país estar a ser infectado pelos que veem de fora.

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