Parcial desconfinamento

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 12 Junho 2020
Parcial desconfinamento
  • Rui Mendes

 

 

Estamos na fase de desconfinamento. Ou melhor, em parcial desconfinamento.

Se a fase do confinamento foi absolutamente percebível, encerrando os setores não fundamentais, e mantendo o país a funcionar com as atividades essenciais, já esta fase de desconfinamento apresenta-se plena de dubiedades.

Porque se permite concertos, num espaço, por sinal uma praça de touros, em que não se permite corridas de touros.

Porque se permite manifestações, em que naturalmente é difícil, senão impossível, manter o necessário distanciamento social.

Porque se permite comícios, admitindo-se deslocações de centenas ou milhares de pessoas, ainda que se tente evitar o agrupamento em escala.

E tudo isto passa-se onde o ritmo de contágio tem vindo a aumentar e é o mais elevado.

Ao mesmo tempo, invocando razões de saúde pública, não se permite a atividade de determinados setores, tais como bares noturnos, touradas ou festivais.

Ainda assim permite-se a realização de jogos de futebol, mas sem público, sem qualquer público. Também não se entende.

Por mais legislação que se publique, orientações que se transmitam, planos ou guias que se divulguem, há algo a montante de tudo isto que é difícil de perceber.

Das duas uma, ou o Governo sabe que o vírus se transmite nuns contextos e noutros não, ou existe uma incoerência no que se autoriza que inicie a atividade, e no que não se autoriza. Porque não dá para entender que critérios o Governo utiliza, se é que utiliza alguns.

Que se imponham limitações de assistências, ou medidas para distanciamentos, ou regras de circulação, tudo será certamente compreendido. Mas regras que sejam aplicáveis transversalmente aos diferentes setores.

Qualquer cidadão tem o direito de saber, e perceber, por que razão pode ser autorizado um concerto que reúne 2000 pessoas num recinto, e nesse mesmo recinto não pode ser realizada uma tourada com a mesma limitação de pessoas. É claro que isto é difícil de justificar, razão pela qual o Governo não deu, até agora, qualquer justificação. E certamente que não a poderá dar, porque ela simplesmente não existe.

Teremos de entender estas “regras” baseadas em razões de índole ideológica. É que não se vê outra razão plausível.

E o pior é que há setores que não têm qualquer previsão para poderem “desconfinar”.

Para já o Governo pretende mantê-los num coma induzido. Mas para muitos está a ser-lhes ditada uma condenação à morte.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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