Parlamento dos Jovens e participação cívica

Quinta-feira, 07 Abril 2022
Parlamento dos Jovens e participação cívica

Realizaram-se esta semana as sessões regionais do Parlamento dos Jovens no distrito de Évora: Dia quatro a do ensino básico, dia cinco a do ensino secundário.

Este programa tem a participação da Assembleia da República, do Ministério da Educação e do Instituto Português do Desporto e Juventude e aqui, na sessão regional, o apoio da Câmara Municipal de Évora. Os jovens assumem papel semelhante aos deputados. Há debates, formação de listas, eleições, propostas das escolas e depois sessões regionais e finalmente, durante vários dias, uma sessão nacional na Assembleia da República.

Na escola onde estou, Escola Secundária Severim de Faria, como noutras muitas (catorze escolas no ensino secundário, só no distrito de Évora), isto implicou inúmeras sessões com debates, formação de quatro listas, com dez elementos cada uma, apresentação e discussão de propostas, eleições onde votaram regradamente centenas de alunos.

Tudo isto, inúmeras horas, é trabalho voluntário de professores e alunos, deputados e as instituições referidas, mesmo em alturas, como agora, em que se finaliza um período letivo.

Contra algum senso comum, posso afirmar que há muitos jovens que querem participar e debater. Argumentam, dialogam com entusiasmo e autenticidade, apresentam ideias e defendem soluções, fazem propostas e críticas. Querem viver o presente, preparar o futuro e melhorar o mundo em que vivemos! Funciona a democracia.

O tema foi a desinformação, o problema das chamadas “fake news”, um problema importantíssimo nestes últimos anos e particularmente agora, em que organizações, sobretudo de extrema-direita, com muitos recursos financeiros e tecnologias avançadas, conseguem condicionar o pensamento e ação, sobretudo dos que têm menos informação ou espírito crítico. Cite-se o exemplo das eleições de Bolsonaro ou Trump, ou a segunda invasão do Iraque (as armas de destruição massiva) ou ainda o que está a acontecer neste momento numa guerra de que não adivinhamos as consequências. Parece que estamos a ver e viver, mas somos bombardeados por notícias, umas confirmadas outras não, censuras despudoradas, encenações, sensacionalismos, mistura de notícias com vídeos das redes sociais, sem contextualização nem localização.

Contra a desinformação temos que desenvolver as literacias, melhorar as competências, aumentar o conhecimento, para compreender melhor o mundo em que vivemos, para formar cidadãos de pleno direito, conscientes da sua possível ação.

Há que pensar melhor nos programas escolares e, sobretudo na sua implementação, valorizar projetos cívicos, não apenas no momento em que os jovens participam, mas também no acesso ao ensino superior e na vida ativa.

Há quem participe, adquira mais conhecimentos e se torne melhor cidadão. Há mais vida para além dos exames.

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