Pedir o impossível é giro, mas…

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 23 Março 2023
Pedir o impossível é giro, mas…
  • Alberto Magalhães

 

‘Os extremos tocam-se’ é uma afirmação que parece cada vez mais indiscutível. Vemos nos telejornais as cenas caóticas nas ruas e praças de Paris e não conseguimos vislumbrar se o lixo incendiado e os automóveis destruídos são obra dos seguidores do trotsquista Mélenchon, se dos acólitos de Marine Le Pen, se de simples arruaceiros que aproveitam todas as oportunidades para apedrejar polícias. Muito provavelmente, todos contribuem para a demonstração anti-Macron.

A afronta que o presidente francês teima em fazer a estes revoltados – que sendo um milhão, dizem, querem representar 67 milhões de franceses – é simplesmente e horrivelmente realista: subir a idade da reforma, em 2030, de 62 para 64 anos, a fim de impedir o colapso da segurança social do país. Curiosamente, a França gasta 14% do seu PIB em pensões, para uma média de 7,5% na OCDE.

Repare-se, de passagem, que os portugueses não queimaram um pneu para impedir que a idade da reforma subisse acima dos 66 anos, tendo pensões que, em média, se ficam por um terço das francesas. Também convém notar, antes que os furiosos de direita e de esquerda, cá do burgo, tenham ideias, que Portugal gasta 14,4% do PIB com reformados, o que representa um desafio para a sustentabilidade financeira do sistema a longo prazo.

Salvo melhor opinião, Macron está cheio de razão. Os extremistas de esquerda e direita, que tentaram derrubar o governo, mas também os 19 republicanos que votaram, vergonhosamente, a seu lado, deveriam antes preocupar-se em encontrar maneiras de aumentar o PIB francês, em vez de exigir o milagre da multiplicação dos pães.

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