Pedir perdão à sua maneira

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 25 Março 2021
Pedir perdão à sua maneira
  • Alberto Magalhães

 

 

As medidas anunciadas terça-feira, pelo governo alemão, para um confinamento total de cinco dias na Páscoa, foram ontem corrigidas por Angela Merkel. Por terem sido decididas em cima da hora, esbarraram em questões logísticas e também legais que não foram previstas. A senhora Merkel, assumiu a responsabilidade: “o erro foi meu e apenas meu” e pediu perdão aos cidadãos do seu país.

Fez-me lembrar o nosso primeiro-ministro quando, a propósito do aligeirar das regras no Natal, se dirigiu a um deputado da oposição nos seguintes termos: “dizer-me que a culpa foi minha da forma como as famílias celebraram o Natal… Senhor deputado, ofereço-me desde já a esse sacrifício”.

Mas, por muito que me custe dizer isto, os políticos deste lado do Atlântico, mesmo o habilidoso António Costa, estão muito longe da mestria da advogada Sidney Powell que, ao lado de Rudolph Giuliani, na altura advogado pessoal de Donald Trump, acusou a Dominion, uma empresa que vende máquinas de voto electrónico, de ter desviado milhões de votos de Trump para Joe Biden.

Como a empresa lhe moveu um processo por difamação, em que pede uma indemnização de 1300 milhões de dólares, pelo seu envolvimento numa campanha de desinformação viral baseada em acusações falsas, resolveu defender-se com o seguinte argumento jurídico, de elevado requinte: – o dano à reputação da empresa foi decerto insignificante, pois “nenhuma pessoa sensata” acreditaria nas minhas absurdas acusações de fraude eleitoral. Só lhe faltou alegar completa insanidade mental.

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