Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 28 Novembro 2022
Pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres
  • Bruno Martins

Assinalou-se no passado dia 25 de novembro o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Em Portugal, este tem sido mais um dia para alertar e lutar pelos direitos das mulheres. Foi neste sentido que milhares de pessoas saíram à rua, por todo o país, na passada sexta-feira.

Ano após ano, os números da violência contra as mulheres continuam a envergonhar a sociedade portuguesa. De acordo com o Relatório Anual de Segurança Interna mais recente a violência doméstica contra cônjuge ou situação análoga continuou a ser o crime mais participado em Portugal. Do total das vítimas de violência doméstica, a maioria são mulheres e raparigas (cerca de 75%).

A marca de género na violência sobressai também nos crimes contra a liberdade e a autodeterminação sexual, tendo o crime de violação aumentado 26% em relação ao ano transato.

Em Portugal, o Observatório de Mulheres Assassinadas (UMAR) registou entre 1 de janeiro e 15 de novembro de 2022: 28 mulheres assassinadas, tendo 22 sido vítimas de femicídio em contexto de relações de intimidade e 6 assassinatos, 3 deles em contexto familiar. Em 55% destes casos existia violência prévia contra a vítima e em 7 já havia sido apresentada queixa às autoridades. Em 5 casos as vítimas já tinham sido ameaçadas de morte pelos homicidas e, em todos os casos, a violência de que eram vítimas era do conhecimento de terceiros.

Vítimas que têm nome: Alda Guterres, Cássia Círiaco, Celestina Ferreira, Cláudia Serra, Cleidisalete Silva, Denise Rosa, Elsa Luz, Lucília Brandão, Madalena Macieirinha, Maria da Conceição Sousa, Maria Luísa, Maria Otília Borges, Marta Carvalho Santos, Olga Pires, Sandra Cristina Rocha, Sara Barros, Silvana Moraes, Sílvia Mendes, Sónia Marisa Barros, Susana Paula Amaral Sousa e Vânia Coelho.

Devemos à memória destas mulheres e de tantas outras que sofrem de violência de género uma ação concertada de luta feminista. Os perigos estão à vista e tem como principal face a do conservadorismo patriarcal que promove relações de força e de poder desiguais entre mulheres e homens a todos os níveis. Forças que procuram sair cada vez mais da toca mas que enfrentam quem não aceita o país patriarcal retrógrado.

A eliminação da violência de género é assunto de todas e de todos e em todos os dias das nossas vidas podemos fazer a diferença: na forma como educamos as crianças que nos rodeiam, como agimos com amigos e amigas, como nos relacionamos com colegas, como perspetivamos as relações amorosas, como reagimos quando vemos sinais de violência, etc, etc… É tempo de meter a colher!

Até para a semana!

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