Pela Saúde dos mais novos

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 12 Outubro 2020
Pela Saúde dos mais novos
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

“A criação da Urgência Pediátrica contribuiu para um melhor atendimento ao utente pediátrico e sua família e uma melhoria evidente na humanização do Serviço e do Hospital.”
É assim a apresentação que o Ministério da Saúde faz da Urgência Pediátrica do Hospital do Espírito Santo.

Contudo foi exactamente esta mesma Urgência Pediátrica que o Conselho de Administração decidiu encerrar e integrar na Urgência Geral, dada a falta de pediatras, uma situação que se vem arrastando há anos e que se agravou agora.

O Hospital do Espírito Santo dispõe de um quadro de apenas 23 pediatras, um quadro já pequeno portanto para as necessidades de um Hospital que serve o distrito de Évora e todo o Alentejo, designadamente no que toca à neonatologia. Se a isto juntarmos o facto de a maioria dos profissionais não estar obrigada a fazer banco de urgência dada a idade, facilmente se conclui que a perda de 7 pediatras num único mês comprometeu o funcionamento do serviço.

Neste modelo de gestão em que a pediatria está integrada na Urgência Geral, situação que a Administração diz ser transitória, a urgência está a assegurada apenas por um único pediatra e dois médicos com experiência pediátrica, uma situação inaceitável e não apenas do ponto de vista da resposta às necessidades da população em termos de serviço de saúde.

Não será aceitável que em 2020 as nossas crianças e jovens não possam ter acesso a todos os cuidados de saúde que lhes são devidos na sua terra e perto das suas famílias, nem será admissível que tenham de ir para Lisboa para receber os cuidados que deveriam ter aqui.

Por essa razão os Utentes do Hospital do Espírito Santo organizaram, no passado sábado, uma acção em defesa do Serviço de Urgência Pediátrica e do Serviço Nacional de Saúde, durante a qual foram recolhidos postais que vão fazer chegar à Ministra da Saúde e em que pedem a rápida contratação de especialistas e reposição da Urgência Pediátrica.

Foi uma acção da Comissão de Utentes que merece o aplauso e a solidariedade de toda a população porque, directa ou indirectamente, diz respeito a todos nós.

A reposição do Serviço de Urgência Pediátrica é por si só urgente, mas não pode ser encarada através do recurso a médicos tarefeiros ou a empresas prestadoras de serviços, são precisas soluções estáveis que tragam e fixem jovens médicos pediatras a Évora.

É preciso abrir mais vagas de formação e mais vagas para contratação. Mas é preciso também que o Governo dê autonomia aos Hospitais para que possam contratar

profissionais sem dependerem de autorizações e mais autorizações, em processos demorados e desincentivadores da própria contratação.

Compreende-se que a situação é difícil, mas o encerramento da Urgência Pediátrica constitui uma desvalorização do próprio Hospital do Espírito Santo, o que seguramente ninguém quer e, mais grave ainda, se não for revertido porá em causa a própria idoneidade formativa do Hospital, o que agravará ainda mais a falta de profissionais, internos de pediatria.

Este ano, com a pandemia de Covid 19, se alguém tinha dúvidas, ficou bem claro que é com o Serviço Nacional de Saúde que podemos contar quando precisamos e por isso se exige que o Governo e a Administração do HESE tomem as necessárias medidas para que a Urgência Pediátrica reabra rapidamente.

Até para a semana!

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