Pequena gente não faz um grande país

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 31 Outubro 2018
Pequena gente não faz um grande país
  • José Policarpo

 

 

Somos um pequeno país, com demasiada pequena gente. Não perdemos o ensejo, salvo raras exceções, de colocar-nos em bicos de pés para tecer e zurzir comentários pouco abonatórios sobre terceiros. Digo isto a propósito do perfil do presidente recém-eleito do Brasil.

Não sou totalmente insuspeito, porque até compreendo a repulsa que o próprio tem às questões da criminalidade e da corrupção do seu país. Contudo, colocarem em causa a eleição dele em virtude das propostas alegadamente por ele defendidas e submetidas aos seus concidadãos de forma livre e transparente, é não quererem ou não entenderem, nada de nada.

O Portugal pós 25 de Abril sofreu grandes transformações ao nível dos direitos e liberdades dos cidadãos. Conquistas ao nível da igualdade de género, liberdade de expressão, direitos sociais e muitas outras ocorreram neste últimos quarenta e quatro anos. Por outro lado, infelizmente, criou uma massa intelectual, com muito poder, que molda o pensamento da turba anestesiada.

Normalmente estas pessoas situam-se à esquerda do espectro partidário, mas também os há em todos os partidos. Autointitulam-se de reserva moral da nação. Dizem tudo dos outros, mas nunca fazem uma avaliação de si próprios. Chocam-se com a defesa pública de determinadas posições, todavia, com as atitudes privadas e praticadas fora dos holofotes dos meios de comunicação social e das redes sociais nada as incómoda.

Ora, esta gente esteve calada a propósito dos motivos que propiciaram as bancas rotas do país. Quedou-se, também, silenciada com a captura do regime e do país pela banca. Alguma dela votou duas vezes no partido socialista liderado pelo Sócrates. Esta gente que se julga imaculada compra roupa de marca, viaja bastante e come em restaurantes afamados.

São por isso a verdadeira razão do baixo desenvolvimento do nosso país, porque toda ou quase toda, de forma direta ou indireta, está sentada à mesa do orçamento do Estado e não pretende que alguma coisa mude. Mas arrogam-se no direito de mandar postas de pescada sobre assuntos que pouco ou nada sabem. Assim vai o nosso país.

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