Perspetivas 2023/2027

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 21 Abril 2023
Perspetivas 2023/2027
  • Rui Mendes

 

 

Esta semana o Governo apresentou o Programa de Estabilidade para o período 2023/2027.

Dir-se-á que o momento foi escolhido por razões de oportunidade.

Quer porque o Governo está a passar por uma fase terrível, provocada pelo autêntico desastre da gestão do dossier TAP, quer porque as previsões do Executivo no PE 2023/27 são, na sua globalidade, revistas em alta, o que tenderá a desviar algumas atenções, quer ainda porque António Costa aproveitou o momento para divulgar que irá repor os aumentos das pensões de acordo com o definido pela lei, na expectativa que esta medida centre muito das atenções políticas.

Mas vejamos.

O Executivo revê em alta o crescimento do PIB, de 1,3 para 1,8%, as exportações, de 3,7 para 4,3%,  melhorando também a percentagem em relação ao PIB do saldo orçamental, de -0,9% para -0,4%, e da dívida pública, de 110,8 para 107,5%.

Não deixam de ser perspetivas positivas, tanto mais que havia um elevado grau de incerteza sobre o crescimento do PIB para 2023.

Como será positiva as perspetivas do saldo orçamental e da dívida pública no que se refere à sua relação percentual ao PIB.

Mas particularmente no que se refere à descida da dívida, na sua relação percentual ao PIB,  ela tem acontecido especialmente quer pelos efeitos da inflação, quer pelo aumento do PIB. Nominalmente a dívida pública não tem tido essa relação de descida. O Governo apresenta aqui um feito que muito pouco se deve à sua ação.

Importará também reter que a previsão da percentagem média da inflação para 2023 sobe para os 5,1%, algo que era expectável, mas que terá os seus reflexos, entre outros, na perda do poder de compra.

O anúncio do aumento intercalar aos pensionistas de 3,57%, precisamente a percentagem de aumento que ficou por acertar em 2022, assegurará o cumprimento do aumento previsto na lei, como assegurará que em 2024 o valor do aumento seja efetuado com base no seu correto valor. Contudo, o Executivo só assume o compromisso do aumento a partir de julho, ficando o primeiro semestre por acertar, mas fazendo já questão de publicitar a medida para que os seus efeitos políticos perdurem pelo maior tempo possível. Terá sido mais um ato populista. Porque esta divulgação nesta altura não deixou de convir a António Costa.

Mas quer se queira, quer não, o dossier TAP continuará a dominar a cena política, porque as confusões, as faltas de explicações e as contradições são tantas que não haverá português que não se indigne com a forma como o Executivo tem gerido este processo.

E mais uma vez aqui se lembra que ainda não entrámos na fase da reprivatização da TAP, porque aí haverá muito por explicar e talvez se apure o valor que custou a cada português a decisão da inversão da privatização da TAP.

 

Até para a semana

Rui Mendes

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