PIB português

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 03 Fevereiro 2023
PIB português
  • Rui Mendes

 

O PIB português cresceu 6,7% em 2022. Este crescimento positivo acontece num ano em que os efeitos da guerra da Ucrânia geraram taxas de inflação altas e um forte aumento das taxas de juro.

Este contexto económico de 2022 criou uma fortíssima instabilidade na vida dos portugueses.

Não foi por Portugal ter um crescimento do seu Produto Interno Bruto (PIB) de 6,7% no ano passado, algo que não acontecia desde 1987, que os portugueses sentiram melhoras na sua qualidade de vida. Muito pelo contrário. O ano de 2022 foi um ano difícil para os portugueses, certamente o mais difícil dos últimos anos, desde logo pela elevada inflação, que esteve em crescendo praticamente todo o ano de 2022, o que criou uma escalada geral dos preços, particularmente nos bens alimentares, o que tirou poder de compra. Para mais, na generalidade, os salários não acompanharam a inflação o que gerou maior empobrecimento.

Este ano de 2023 será ainda mais difícil. Desde logo porque a inflação ainda se mantém em níveis elevados, mas também porque os efeitos do aumento das taxas de juro serão bem mais sentidos em 2023 do que em 2022, este ano teremos acumulados os aumentos de 2022 e os de 2023.

Mas num campo o crescimento do PIB faz toda a diferença. Acontece na expressão da dívida. O crescimento, em particular, destes dois últimos anos do PIB português (5,5% em 2021 e 6,7% em 2022) teve um efeito positivo na “redução” da dívida, ou melhor, na sua correspondência em relação ao PIB.

Terminámos 2022 com a dívida pública a representar 114,7% do PIB. Verdadeiramente a dívida pública nominal não tem sido reduzida, representando 272 mil milhões de euros, mas não deixa de ser positivo que o peso da dívida pública represente atualmente 114,7% do PIB, percentagem próxima daquela que representava em 2011.

Daí que seja estranho considerar-se que a dívida pública está melhor quando devemos mais.

Este efeito na “redução” da dívida que desceu cerca de 11% no ano de 2022 é acima de tudo resultado do forte aumento do PIB e da forma como a dívida pública é considerada, atendendo que ela é vista como um rácio face ao PIB.

Ainda assim, o país estará menos exposto e a sua dívida pública estará sujeita a um menor risco, o que é certamente bastante positivo.

Pena é que os portugueses não sintam no seu dia a dia os efeitos deste forte crescimento económico do país, porque não viram refletir-se nos seus rendimentos esse crescimento, pelo que o descontentamento geral vai surgindo um pouco por todo o lado.

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