Pim, PAN, Pum!

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 26 Junho 2020
Pim, PAN, Pum!
  • Alberto Magalhães

 

 

Cristina Rodrigues, em 2019, foi eleita deputada do PAN, pelo círculo de Setúbal. Antes disso era chefe de gabinete de André Silva, na Assembleia da República e, sendo advogada, fazia uma perninha prestando apoio jurídico ao IRA – não o Exército Revolucionário Irlandês, mas um grupo de animalistas fanáticos que, encapuçados, usam de violência para salvarem animais alegadamente em risco. Estou convencido de que os eleitores votaram nela porque lhe descobriram duas raras qualidades numa candidata a deputada: a ingenuidade mais pura e a sinceridade mais transparente.

A mais pura ingenuidade, porque o PAN argumentou que Cristina desconhecia que o IRA agisse à margem da lei, o que pode parecer quase impossível a um espírito mais cínico, dada a formação jurídica da senhora. A sinceridade mais transparente, porque, numa entrevista, já como cabeça da lista sadina do partido, mostrou-se contra as baterias de lítio mas a favor dos automóveis eléctricos, mostrou desconhecer propostas polémicas do PAN, como a introdução de terapias alternativas no SNS, não soube dizer qual o salário mínimo defendido pelo partido e acabou por confessar não ter lido o programa eleitoral, alegando no fim, em seu favor, a sinceridade da confissão.

Agora, resolveu abandonar o PAN, mantendo-se como deputada não-inscrita, ao lado de Joacine Katar-Moreira. Se me é permitido um comentário final, nem o partido perdeu grande coisa ao perdê-la, nem vice-versa. Dias antes, o mesmo acontecera com o eurodeputado Francisco Guerreiro e mais uns quantos militantes do PAN (Pessoas, Animais e Natureza), partido onde as pessoas foram as últimas a contar.

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