Pio XII, refugiados e coronavírus

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 02 Março 2020
Pio XII, refugiados e coronavírus
  • Alberto Magalhães

 

 

A semana que hoje começa, a primeira de Março, corre o risco de ser uma semana cheia de acontecimentos importantes. Hoje mesmo, por decisão do Papa Francisco, tomada vai fazer um ano, serão abertos os arquivos secretos do Vaticano, no que respeita ao papado de Pio XII e ao comportamento da igreja católica durante a II Guerra Mundial, sobretudo em relação ao genocídio de judeus, produzido pela máquina nazi.

Teremos também o agudizar da crise de refugiados, sobretudo sírios, que, tendo as fronteiras abertas pelos turcos, se apressam a forçar a entrada na Grécia e na Bulgária, pondo à prova a solidariedade europeia ou, se quisermos ser mais realistas, testando até que ponto os egoísmos nacionalistas, ainda disfarçados de União Europeia, deixarão a batata quente para búlgaros e, sobretudo, gregos que, claro, se verão mesmo gregos para enfrentar a invasão. Talvez houvesse de se fazer a pergunta que nunca vejo ser feita nestas ocasiões: porque querem os refugiados vir para a Europa, terra de gente e costumes impuros e não escolhem antes, os ricos Emirados ou a fabulosa Arábia Saudita, terra de petróleo, mas também de Meca e Medina, e de costumes mais conformes ao Islão?

Também esta semana, prevejo eu, serão encontrados os primeiros casos de coronavírus em território nacional. A presença do escritor chileno Luís Sepúlveda, já portador do vírus, nas Correntes de Escrita da Póvoa do Varzim, o maior encontro literário da peninsula ibérica, pode ter projectado escritores e leitores infectados em todas as direcções. Mas não só. Ontem à noite, uma passageira do Sud Express sentiu-se infectada e o combóio parou no Entroncamento (tinha de ser no Entroncamento) para que o INEM tomasse conta da ocorrência. Pois, se até o Papa Francisco está de quarentena.

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