Pior a emenda que o soneto, ó Proença

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 12 Abril 2019
Pior a emenda que o soneto, ó Proença
  • Alberto Magalhães

 

 

Pior a emenda que o soneto. Habituado – é uma hipótese que ponho à consideração – à verborreica discricionariedade do argumentário futebolístico, onde se pode fazer surgir do nada um penalti, onde se consegue discutir à exaustão um fora-de-jogo, onde é permitido pela leges artis usar os argumentos mais estapafúrdios, em defesa de uma clubite mais que menos acéfala, veio ontem o advogado Pedro Proença tentar justificar o injustificável pedido de exclusão de uma juíza que, para ele, antes de o ser seria inevitavelmente “mulher e certamente mãe”, o que levaria (e continuo a citá-lo) “ a que o horror e a aversão inata ao acto de incesto confessado pelo arguido (…) e o facto de ter acusado a sua filha de o ter seduzido” tornaria “humanamente impossível a uma juíza mulher e mãe ser tão imparcial quanto um juiz homem”.

Diz agora o advogado e comentador da bola, que apenas houve uma “proposta de reflexão” e blá, blá, blá, (volto a citar) “temos de ser suficientemente frios para expurgar o processo da questão do incesto que é uma questão horrível”.

Para além da psicologia de pacotilha, Pedro Proença lança poeira aos olhos incautos. O que é horrível no caso, não é o incesto, que nem sequer é crime por si só. O horrível é o seu cliente – alegadamente claro está, até trânsito em julgado da condenação – ter abusado da confiança da filha para a embriagar e ter aproveitado o seu estado de embriaguez para a violar. O que é horrível é, ainda por cima, achar que se pode desresponsabilizar, alegando ter sido seduzido por uma filha embriagada. O que é horrível é Pedro Proença dar azo a que o PAN dos Animais, aproveite para pedir castigo à Ordem dos Advogados, quando a defesa arquitectada por ele não tem nada de ilegal. É, simplesmente, imbecil e, provavelmente, maliciosa.

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