Plano de Recuperação? (capítulo 2)

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 21 Novembro 2022
Plano de Recuperação? (capítulo 2)
  • Luís Caldeirinha Roma
Na cronica da passada semana mostrei, com base nos dados constantes do último relatório
oficial de acompanhamento e evolução do PRR, a enorme discrepância entre as verbas
destinadas ao sector publico e as destinadas ao sector privado.
Efectivamente o investimento publico tem a função de criar condições para o desenvolvimento
e apoio à economia, no entanto, por si só, não cria riqueza ou postos de trabalho sustentáveis.
Não é possível recuperar a economia quando se excluem do processo as empresas. Somente 5%
das verbas, até agora disponibilizadas pelo PRR, tiveram como destino as empresas privadas.
Acresce, segundo o Senhor Presidente da Associação Empresarial de Portugal, que são impostas,
às candidaturas das empresas, uma serie de regras e obstáculos, com base numa burocracia
instalada nos vários serviços e departamentos estatais que, só podem ter como objectivo,
dificultar a aprovação e o acesso ao financiamento dos vários projectos apresentados, que
chegam a ter períodos de espera superior a um ano. Isto são evidencias claras e preocupantes
que, em Portugal, temos cada vez mais estado, ao arrepio do que é considerado a boa pratica
para atingir os níveis de sustentabilidade para o crescimento da economia.
Há uma semana atras, o Senhor Vice-presidente da CIP, a propósito da conferencia sob o tema
“Estado a mais” integrada no ciclo Projetor 2030, declarava que temos um Estado com funções
desequilibradas e de péssima qualidade, realidade que tem origem nas políticas dirigistas,
intervencionistas e assistencialistas aplicadas ao longo dos anos pelos “governos de turno” que
se dedicam a gerir a pobreza em vez de contribuir para gerar riqueza e que intervém onde não
devem e não o fazem, muitas vezes, onde deveriam actuar. Disse ainda que esta orientação
dirigista e centralista conduz a uma exagerada e crescente presença do estado, tendo por
consequência o desvio e a aplicação de verbas, que deveriam ter outros destinos, para assegurar
o financiamento dessas políticas.
Afinal não é só do Senhor Presidente da República a preocupação no que respeita à aplicação
das verbas do PRR, a preocupação é de todos os que, com consciência, sabem e querem
projectar o futuro assente nas várias vertentes do desenvolvimento. Só será possível
almejarmos o cabal desenvolvimento da nossa sociedade com uma economia solida e
consistente. Esperemos melhores dias.

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