Pobre carbono

Nota à la Minuta
Terça-feira, 07 Maio 2019
Pobre carbono
  • Alberto Magalhães

 

 

Hoje, a primeira página do jornal Público, ilustra belamente o que pr’aí vai de confusão nas hostes ambientalistas, quando se trata de inventariar os males do planeta Terra. Uma fotografia que ocupa dois terços da página, mostra-nos um homem no que parece ser uma jangada, flutuando num mar de lixo. Contudo, a manchete respectiva não fala em poluição, nem mesmo em plástico, como seria de esperar, antes diz: “Alterações climáticas – Nunca a destruição foi tão grande e rápida”.

A notícia diz-nos que um relatório, divulgado ontem por uma tal de Plataforma Intergovernamental de Política de Ciência sobre Biodiversidade e Serviços do Ecosistema, e que foi elaborado por 145 cientistas e aprovado por 130 países, refere que há hoje um milhão de espécies em risco de extinção, num universo, diz a jornalista, de oito milhões de plantas, insectos e animais, numa curiosa divisão trinária dos seres vivos. Um milhão, é um número redondo, com o seu quê de mediático, impactante, como agora se diz.

Segundo a notícia, as “actividades humanas e, consequentemente, as alterações climáticas, estão a ter um impacto brutal e sem precedentes no meio natural”. Não sei se é cegueira minha, mas esta frase soa-me completamente idiota. Mais à frente, a notícia esclarece que os autores do relatório destacam os males causados pela poluição e pela destruição de habitats, pela agricultura e a pesca intensivas, o que me parece bastante mais lúcido, mas claro que acabam a culpar igualmente as emissões de carbono. O carbono, base de toda a vida terrestre, terno alimento das plantas, vem sendo vítima de calúnia e difamação, anda perseguido como criminoso, como se de veneno se tratasse. Pobre carbono!