Pobre Rossio!

Crónica de Opinião
Segunda-feira, 04 Janeiro 2021
Pobre Rossio!
  • Maria Helena Figueiredo

 

 

Esta é a primeira crónica do ano e apesar de a Saúde e a situação crítica em que nos encontramos ser o foco das nossas atenções, apesar de estarmos em campanha para as presidenciais e haver muito para dizer, não posso deixar de começar o ano a olhar, com alguma tristeza, para a nossa cidade.

Isto porque a Câmara Municipal sem se preocupar com o que os munícipes pensam, se prepara para dar um destino ao Rossio, que desmerece o local e desmerece a cidade: O Rossio como local de parqueamento de autocarros.

Um triste destino, desqualificado, que revela desrespeito pelo Património, uma estreiteza de vistas clamorosa e uma falta de visão global e de articulação com os instrumentos de planeamento e gestão em preparação, designadamente com o Plano Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável que está em discussão e que, portanto terá que ser compatibilizado com a utilização dos vários territórios municipais, bem com o Plano Estratégico, cujo estudo, ao invés, aponta para a “valorização dos espaços públicos abertos, essenciais a uma vivência urbana mais interessante e agradável”.

A tudo isto junta-se a forma muito pouco transparente como o processo foi conduzido, sem a publicitação e o debate público que deveria ter existido, numa clamorosa desconsideração pela opinião dos munícipes e das restantes instituições, muito pouco compatível com o discurso sobre “Participação” que podemos ler em tudo o que é documento que esta Câmara produz.

Mas vamos pelo princípio. Os Rossios são praças públicas, desafogadas, de fruição comum pelo povo. Muitas vilas e cidades mantêm o seu Rossio e cuidam-no como jóia, valorizando-o e dando-lhe destinos compatíveis. Lisboa tem no Rossio a sua praça emblemática no coração da baixa, rodeado de lojas, de cafés e pelo Teatro Nacional.

Em Évora, pelo contrário, as sucessivas Câmaras, incluindo a actual, têm deixado o Rossio ao abandono. Terra batida, lama de Inverno e poeira no Verão, utilizado como estacionamento e mercado de levante. As árvores que ali existiam foram cortadas pelo actual executivo sem propósito conhecido, numa acção contrária ao mais elementar interesse de ensombramento numa terra de verões tórridos e ao enunciado combate às alterações climáticas, enquanto deixaram ficar postes eléctricos de madeira com fios a passar de uns para os outros, num espectáculo deplorável.

Agora em vez de olhar para o Rossio como uma oportunidade de dotar aquela área de infra-estruturas, espaços ou equipamentos de utilização colectiva, ouvindo a população, a Câmara quer investir mais de 1 milão de euros para fazer um parque de autocarros!

Um estacionamento de autocarros ali ao lado da jóia que é a Ermida de S. Brás, monumento classificado e que impõe por isso uma zona de protecção especial, e do Chafariz, do séc XVI, também ele classificado como de interesse público, uma construção desintegrada de um projecto global de valorização do Rossio não parece nada compatível com uma “Capital da Cultura”.

O Rossio de S. Brás, merece ser tratado de outra forma e ter outro destino e os Munícipes merecem uma Câmara que respeite o direito de o povo se pronunciar sobre o que é feito na sua terra.

Até para a semana!

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