Pobres, mas limpinhos

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 20 Outubro 2022
Pobres, mas limpinhos
  • Alberto Magalhães

Mesmo tendo em conta as ajudas do Estado, existem em Portugal 2 milhões e 300 mil pessoas cujo rendimento mensal não atinge os 554€, o nosso limiar de pobreza. Ou seja, 22,4% da população portuguesa é pobre. No ranking europeu de pobreza, aliás, saltámos de 2020 para 2021, de 13º para 8º país com mais pobreza.

No entanto, Portugal, como já tenho aqui referido, porta-se demasiadas vezes como um país rico, esbanjando recursos como se não nos fizessem falta e ignorando altivamente boas oportunidades de negócio.

Veja-se o caso da energia. Primeiro, gastámos fortunas para sermos pioneiros nas energias alternativas e na descarbonização. Fechámos as centrais a carvão, mais baratas e fiáveis, e investimos nas solares e eólicas, mais caras e intermitentes. Se com as secas extremas as hidroeléctricas deixam de produzir, resta-nos comprar electricidade aos espanhóis, que a produzem com carvão e energia nuclear. Neste momento, importamos de Espanha mais de um terço da electricidade que gastamos, mas talvez a chuva que começou a cair nos baixe a factura.

Também compramos gás para produzir electricidade, mas recusamos explorar a hipótese de termos gás português na nossa costa. E que dizer do lítio existente no norte do país? Queremos telemóveis e computadores portáteis, mas produzir baterias com o nosso lítio, tá quieto ó mau. Preferimos comprá-las aos estrangeiros, pois então. Pobres, mas limpinhos.

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