Pobretes mas verdetes

Nota à la Minuta
Terça-feira, 08 Fevereiro 2022
Pobretes mas verdetes
  • Alberto Magalhães

Primeiro foi a de Sines, em Janeiro do ano passado, depois, em Novembro. foi encerrada a do Pego. Falo, claro está, das centrais a carvão que produziam electricidade e que estava previsto fecharem em 2030 mas que, confrontado com a zanga da jovem Greta, o nosso abençoado Governo resolveu fechar 9 anos mais cedo, colocando-se assim na primeira fila da transição energética.

Acontece que, tal como nos concertos, os lugares na primeira fila são os mais dispendiosos e nós, melómanos que somos das energias “limpas”, arriscamo-nos a ficar depenados para ter a honra de pertencer à vanguarda do verdete. A Alemanha, por exemplo, que, diz, muito aposta na transição para as energias verdes, mas devagar, ainda no ano passado inaugurou uma nova central perto de Dortmund, a carvão, claro, que são um povo poupado e, por isso, rico.

A nós, calha-nos agora a seca, que diminui drasticamente a capacidade de produção hidroeléctrica e nos obriga a importar, neste momento, segundo o jornal I, 30% da electricidade que consumimos. Muita dela produzida, quiçá, em centrais a carvão. Isto porque a central do Pego era responsável por 4% das emissões de CO2 do país e a de Sines nem tanto. Sabendo-se que, por exemplo, a China continua a construir, em barda, centrais a carvão, podemos dizer, com segurança, que a nossa contribuição para a salvação da humanidade é uma caganita insignificante retirada de um monte de estrume. O preço que pagamos por ela é, no entanto, extravagante. Ora, pobretes mas alegretes… neste caso, verdetes.

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