Poder de compra

Sexta-feira, 17 Dezembro 2021
Poder de compra

 

Apresentamos duas notícias que foram oferecidas esta semana pela comunicação social.

Uma diz-nos que o poder de compra português desceu em 2020 para 76,4% da média da União Europeia, ou seja, que os portugueses relativamente aos demais europeus perderam poder de compra.

Para quem acompanha mais de perto estes indicadores esta notícia não é nova, não a estranhamos.

Ainda assim, não estará na linha das notícias de propaganda que diariamente são despejadas pelo Governo para divulgação pela comunicação social e que mostram Portugal como um país exemplo.

Notícias que servem para nos distrair daquilo que é mais importante para as pessoas, o melhorar as suas condições de vida, por via do aumento de rendimentos, mas também por melhores serviços de saúde, de educação, de segurança e outros, que sejam cada vez mais eficientes, mais capazes, coisa que sabemos nem sempre acontece.

Dirão alguns que esta perda de poder de compra é uma consequência da pandemia. Naturalmente que a pandemia tem efeitos transversais, na economia e na vida de cada um de nós. Mas para este caso pouca importância terá. Desde logo porque trata-se de uma análise comparativa que envolve os países da UE e a pandemia terá atingido todos. Também porque a fraca, ou melhor, a fraquíssima evolução do rendimento per capita português é algo que dura há muitos anos, e por isso o empobrecimento dos portugueses relativamente aos demais cidadãos dos países da UE é algo que já não nos surpreende. Entristece-nos porque os nossos governantes são incapazes de dar um rumo certo ao país, e os portugueses sofrem as consequências.

Também foi divulgado pela comunicação social os resultados de um estudo promovido pela Intrum, o European Consumer Payment Report 2021, que indica que um em cada quatro portugueses espera terminar o ano de 2021 mais endividados do que alguma vez estiveram.

Estas duas fotografias da situação em que os portugueses estão são bastante elucidativas. Demonstram que quer as políticas públicas aplicadas no país, quer os programas que têm sido desenhados para aplicação de fundos não têm conseguido os resultados que outros países conseguiram.

Para mais, Portugal encontra-se geograficamente numa posição de vantagem relativamente aos países que limitam as fronteiras leste da UE, ou os que a sul assumem as fronteiras no mediterrâneo, porquanto as pressões migratórias originam forte instabilidade politica e social nesses países, problema que em Portugal é residual.

Numa altura em que vamos novamente passar por um período de eleições para constituir um novo parlamento, e posteriormente um novo governo, é dever de todos não apenas o votar, cumprindo um dever cívico, mas também escolher aqueles que são capazes de oferecer garantias de pôr a país a crescer a um ritmo superior aos outros países europeus, a apoiar a economia onde existe sustentabilidade, criar um país mais competitivo e com maior produtividade. Quando tal for conseguido também certamente se promoverá um aumento generalizado de rendimentos.

Para mais para 2022 anunciam-se alterações na política de compra de dívida pelo BCE, na alteração das taxas de juros e alguma incerteza em como irá evoluir a inflação. Com o aumento dos juros e da inflação a tendência será também de aumento dos preços, de aumento do custo de vida.

Pense nisto quando tiver que votar, porque Portugal precisa de um Governo que governe e que nos puxe para cima, e não um que nos hipoteque e que nos ponha no grupo dos mais desfavorecidos, que é o que tem acontecido, para que os portugueses não sejam, cada vez mais, os pobres da europa.

Quanto tiver que votar lembre-se disso.

 

Esta será a última crónica deste ano como tal aqui vos deixo os votos de um Santo Natal e o melhor para 2022.

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