Poema para o Carnaval

Nota à la Minuta
Terça-feira, 05 Março 2019
Poema para o Carnaval
  • Alberto Magalhães

 

 

Para celebrar o Carnaval, lembrei-me deste “Poema nocturno”, de Mário-Henrique Leiria., que tão bem liga a festa e a morte. Carpe Diem (curte o dia) que amanhã é quarta-feira de Cinzas e começa a Quaresma.

Para o enterro

que terei um dia,

quero que venham cores azuis…

…e nostalgia.

Quero paranóicos, mentecaptos

e fêmeas delirantes.

Artistas obscenos e cretinos

cantando em vagos violinos

sons desencontrados e distantes.

Quero que soem bombos, fungagás,

Que hajam gaitas ocas e charangas

tocadas por poetas socialistas

vestindo fatos anarquistas,

com casacos que não tenham mangas.

E quero livros abertos, a correr

com pernas de cartão;

livros onde não se possa ler.

E pintores surrealistas,

bebendo por taças futuristas

vinhos de pó e solidão.

…………………………………………….

E ao longe, envoltos em tristeza,

dois gatos solitários,

miando a “Portuguesa”…

* in Obras Completas – Poesia, Ed. Letras Errantes, pp. 198-199. (2018)

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