Política salarial para a função pública

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 28 Fevereiro 2020
Política salarial para a função pública
  • Rui Mendes

 

 

Na semana passada conclui-se, finalmente, o processo anual de revisão salarial da função pública.

Não se entende porque se reabriu um período de conversações com os sindicatos, após a aprovação do Orçamento de Estado, se nada havia para atribuir.

Foi mais uma fraude do governo em chamar novamente os sindicatos representativos dos trabalhadores da administração pública para alimentar um período negocial, criando expectativas, para no final oferecer um pouco de nada.

O aumento dado aos funcionários públicos é insignificante. Resume-se a 0,3% para a generalidade dos funcionários, e um valor bruto de 10€ para aqueles que possuem remunerações até 683,13€, ou seja, será mais um ano em que os trabalhadores da administração pública terão perda de poder de compra.

Imagine-se um governo de uma outra cor politica a atribuir este aumento. Não faltariam criticas, não faltaria contestação. A este governo tudo é consentido, ainda que alguns mostrem discordâncias. Mas não passa disso. Estamos certos que a insatisfação dentro da administração pública é cada vez maior, e que os danos causados por esta política nos serviços são severos. Em muitos casos são bem visíveis.

Esta Ministra já havia feito estragos suficientes aos professores, travando carreiras e não contando tempo de serviço. Foi a escolhida por António Costa para travar toda a administração pública. Aliás, este modus operandi foi aquele que tinha acontecido com os professores, reuniões e mais reuniões para nada, apenas para ir retardando.

Este governo tem um discurso e uma prática totalmente diferentes.

António Costa referiu no período eleitoral que teria que ser valorizada a carreira técnica superior, que se tinham que valorizar os salários. Pois é, mas isso foi em campanha, não é para levar a sério.

Esta opção em sistematicamente proceder-se a actualizações diferenciadas, actualizando apenas as remunerações daqueles que vencem baixos salários, desvalorizando salários, é uma visão altamente limitada do que um salário deve pagar.

Mas somos governados por um Governo socialista pelo que não sei se deveríamos esperar outra coisa.

Naturalmente que a qualidade dos serviços degrada-se, quer pela desmotivação dos funcionários, quer por dificuldades em recrutar bons quadros, por falta de atractividade em exercer uma função pública, quer ainda pelo elevado envelhecimento dos trabalhadores da administração.

Para o Governo há sempre uma qualquer explicação positiva, ainda que pouco ou nada explique, ainda que não traga quaisquer resultados.

Esta falta de ambição e esta visão castradora que o Governo apresenta, resulta em permanentes perdas sobretudo na classe média, sendo que o PIB per capita dos portugueses caminha no sentido de ser um dos mais baixos da Europa.

Mas os portugueses não se queixem, porque têm o que escolheram.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes

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