Políticas de Juventude

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 20 Março 2024
Políticas de Juventude
  • Maria Paula Pita

Março é o mês da juventude em Évora.
A Câmara Municipal, em parceria com diversas associações juvenis e outras entidades como o Instituto Português do Desporto e Juventude e a Fundação INATEL, promove de 1 a 31 de março, mais uma edição do “Mês da Juventude”.
Programa variado, enquadrado nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, cujo objetivo é dar ”voz e palco” aos jovens, através da arte, associativismo, dança, empreendedorismo, música, saúde, voluntariado entre outras…
Muitas destas atividades são organizadas pelas várias Associações da Universidade de Évora e outros organismos da mesma Universidade e o público alvo serão os alunos dos últimos anos do Ensino Secundário e os universitários.
Mas serão apenas estes que merecem ser o foco das festividades ou que apenas sejam evocados neste mês?
Num país envelhecido, embora a taxa de natalidade tenha subido em 2022 para 1,43 por mulher, fará sentido que não haja uma política efetiva por parte da Câmara em relação a toda a juventude? Ter-se-à consciência que um em cada quatro (24,0%) nascimentos em Portugal foi, em 2022, de bebés de mães estrangeiras?
Precisamos de crianças, mas Évora tem que criar e reunir condições para proporcionar uma melhor qualidade de vida aos munícipes. O objetivo não é só aumentar a natalidade, mas, principalmente, fixar as famílias jovens no concelho. E sabemos que este propósito é de difícil concretização. Falta habitação para compra ou arrendamento. O que há, muitas vezes, sem condições e a preços proibitivos. Sem tecto os jovens não ficam por cá.
Outra questão importante é a quase inexistência de ofertas de emprego, cujo salário ultrapasse o Salário Mínimo Nacional. SMN e o exorbitante preço da habitação não se conjugam para a fixação de jovens casais.
Há oferta com qualidade que dê resposta às necessidades dos pais? De modo algum se defende que as crianças passem horas infinitas nos berçários e nas creches. Mas e os pais que entram mais cedo ou saem mais tarde dos seus empregos e os que trabalham por turnos? Ou as famílias monoparentais? Que rede de apoio existe, e qual o papel do Município? A rede pública não chega a todos, assim como nem todos conseguem que os seus filhos beneficiem do programa Creche Feliz.
Quanto ao lazer, há equipamentos cuidados, adequados e seguros, onde as crianças possam brincar com a supervisão dos pais? Só o parque infantil não chega. Os bairros deveriam estar bem apetrechados, já que contribuem para a qualidade de vida de todos.
E os pais de crianças com necessidades educativas especiais? O município, em estreita colaboração com o Movimento Cuidar de Évora e os pais destas crianças jovens, criou um novíssimo programa de acolhimento para estas crianças nas pausas escolares. Uma boa medida de apoio à juventude. Contudo, as vagas que existem no SER A BRINCAR, no OKUPA-TE e no INCLUIR-TE e o tempo disponibilizado não chegam. Os cuidadores não podem deixar de trabalhar porque, infelizmente, os apoios monetários são poucos ou quase sem expressão.
Também a Câmara, no âmbito da sua autonomia, deverá encontrar soluções para que todos os jovens do concelho, mesmo sem condições económicas, tenham acesso ao desporto e à cultura, indispensáveis para o desenvolvimento pessoal, social e cidadania. Tudo isto são políticas de juventude. Tudo isto carece de um olhar mais atento por parte do Município.
Para além de mais crianças, precisamos de bons futuros cidadãos.

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