Por favor, um pouco de racionalidade

Nota à la Minuta
Sexta-feira, 22 Outubro 2021
Por favor, um pouco de racionalidade
  • Alberto Magalhães

Ontem comprei o último livro de Steven Pinker, catedrático de Psicologia na Universidade de Harvard. Confesso que o compraria em quaisquer circunstâncias, mas esta novela do OE, para já não falar da situação geral no planeta Terra, tornou ainda mais apetecível um livro com o título: ‘Racionalidade – o que é, porque parece rara e porque importa’.

Concentremo-nos na actual situação do país. Ainda mal saído da crise pandémica, que provocou o maior afundanço do PIB desde que há estatísticas, com uma dívida pública alarmante, com o petróleo e a electricidade caríssimos, a inflação a ameaçar crescer, o SNS em rotura, a Escola Pública cheia de problemas, milhares de empresas em grandes dificuldades, o país assiste, pasmado, ao desenrolar da coreografia negocial dos partidos geringonceiros, que se assemelha cada vez mais a um autêntico teatro de sombras, onde todos os participantes juram total empenho negocial, para logo darem mostras de que, de um lado (PCP e BE) as exigências são tão desmesuradas que parecem destinadas a provocar a sua rejeição pelo Governo; do lado deste, as cedências são tão cosméticas que parecem destinadas a irritar os parceiros, já para não falar do presidente do PS, Carlos César, que resolveu desancar neles, forte e feio.

Enquanto isso – e para ajudar à festa – os sindicalistas marcam greves na função pública, os pescadores queixam-se de que não aguentam o preço do gasóleo, as empresas de transportes, mesmo com desconto, ameaçam parar, os utentes da ponte buzinam e continuamos sem saber a que velocidade ia o carro em que se fazia transportar Cabrita.

Ontem, o conselho de ministros aprovou mais umas migalhas mal-enjorcadas, que vão criar problemas, sem convencer o BE ou PCP a sustentar o OE para 2022, ou seja, o Governo. Que mais ainda veremos?

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