Por uma educação cosmopolita

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 11 Novembro 2022
Por uma educação cosmopolita
  • Glória Franco

Viva

Falar em educação cosmopolita pode parecer algo pouco comum e mesmo descontextualizado.

Então porque levantar este tema?

Sendo um assunto que me é particularmente grato, gosto de o olhar como algo pertinente a ser discutido, na minha área profissional. No entanto, alguma bipolaridade das palavras, pode levar a variadas interpretações. Por vezes, as deturpações e confusões contribuem para que o debate sobre o tema continue por fazer. Uma sociedade que se pretende cosmopolita, deve estar comprometida com a educação, na orientação das crianças e jovens, para uma vida social ativa, não só a nível local, como global; existe a necessidade da formação de uma comunidade universal perspetivando a futura sociedade.

O levantar de novas questões obriga-nos a reflexões que há muito pedem retorno.

Apresentando o nosso tempo muitas vulnerabilidades e continuando a existirem sociedades desiguais onde o hedonismo, a miséria, a repressão… ainda prevalecem, este não deixa de ser um assunto relevante.

Descartando o pensamento liberal que assume o cosmopolitismo como algo mercantilista, a sua teorização, aplicada à educação, é ainda algo ilusório. Apostando a pós-democracia na “domesticação” das pessoas visando a sua apropriação pelo Poder, e este (o Poder) “podendo”, não consegue impedir que se faça, que se sonhe com a valorização da diversidade e da criação de comunidades de diálogo e de justiça.

Sendo o cosmopolita atual um ser em agenciamento, cabe-lhe tomar conta do seu destino e fazer da educação um projeto de mobilização social. Como cidadão do mundo a sua interação com o processo educativo passa pela consciencialização e pelo empenho de cidadãos críativos, discursivos e participativos.

O aprofundar das raízes democráticas e a estabilidade das democracias instituídas, podem contribuir para o enraizar deste pensamento que, deve estar presente no sistema educativo, com aposta na solidariedade, em contrapondo com o individualismo, através de uma pedagogia hermenêutica, onde o sentido da existência humana seja o foco. Assim, abrindo “novos” caminhos a conceitos por explorar, deixando os convencionalismos das instituições, uma pedagogia que incorpore, em simultâneo, transformações societárias e uma consciência global, não se limitando ao existente, só podem beneficiar quem as pratique e delas usufrua.

A formação de cidadãos cosmopolitas ainda não se enquadra nas metas atuais, no entanto, julgo ser uma aposta em futuras sociedades mais justas, onde ser cidadão do mundo é o objetivo.

 

Saudações LIVRE’s

Até para a semana

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