Porquê o espanto?

Nota à la Minuta
Quarta-feira, 23 Fevereiro 2022
Porquê o espanto?
  • Alberto Magalhães

Há quem se espante com o modo como o PCP, sobre a questão ucraniana, resolveu atacar, violentamente, os EUA, a NATO e a UE, denunciando a sua (e cito) “perigosa estratégia de tensão e propaganda belicista” e “décadas de política de tensão e crescente confrontação” com a Rússia. Mais ainda se admiram quando ouvem o PCP responsabilizar a Ucrânia pelas “constantes violações do cessar-fogo”, “as sucessivas provocações” e “uma massiva concentração de forças militares junto à linha de demarcação” (cito do Expresso online), justificando assim a decisão “agora assumida pela Federação Russa”. Como podem os comunistas portugueses apoiar Putin, ídolo e protector de Marine Le Pen? Há quem ironize: estão distraídos e não repararam que a URSS acabou e o PCUS perdeu o poder em 1991.

Lamento, mas não concordo. Em primeiro lugar, Putin tem o apoio dos comunistas russos e não apenas dos portugueses. Depois, o PCP apoiou Estaline, um monstro ao pé do qual Putin é simples caloiro. Putin, segundo o PCP, foi obrigado a invadir a Ucrânia a pedido dos seus aliados. Mas esta posição é coerente com o apoio do PCP à invasão da Hungria, em 1956, e da Checoslováquia, em 1968, pelas tropas soviéticas, a pedido dos camaradas desses países. Quanto ao facto de Putin ser um déspota pouco dado a democracias e propenso a enviar os adversários para campos de concentração ou para a morgue, onde está a novidade? O PCP apoia, hoje, o que sempre apoiou.

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