Portugal esquecido

Crónica de Opinião
Sexta-feira, 25 Outubro 2019
Portugal esquecido
  • Rui Mendes

 

 

A TSF difundiu esta semana uma reportagem sobre uma aldeia do concelho de Moura. Estrela é uma aldeia, atualmente com menos de 50 habitantes, que com o fecho das comportas da barragem do Alqueva ficou uma aldeia ribeirinha.

Parecia assim, e foi o que terá sido prometido, que a população desta aldeia iria ter um futuro promissor.

Com o passar do tempo vieram as desilusões.

Passou-se aqui o que se vai passando por quase todas as aldeias do Alentejo. A população foi reduzindo por uma razão óbvia, pela falta de trabalho. Abalam os mais novos, ficam os mais velhos.

Em determinada altura da reportagem é referido:

“Esta terra não é para velhos nem para novos, não há trabalho”.

Nesta aldeia “…Os mais novos têm hoje 23 e 24 anos, são dois ou três. Depois há mais três ou quatro com 30 e tal, uns seis com 60 e tal e o resto é tudo com 70 e 80 anos.”

Os problemas que estes territórios têm são conhecidos. Desde há muito que são conhecidos. Precisamente por serem conhecidos há tanto tempo é que não se compreende que persistam e se agravem com o tempo.

Existe nestas povoações um efeito de bola de neve. Não só não se resolvem os problemas como estes vão crescendo.

O que se precisa é investimento que crie emprego, que traga riqueza a estes territórios, e que estas gentes não fiquem dependentes de alguns poderes locais.

O que cada vez será mais difícil de acontecer porque, paradoxalmente, algum investimento para existir precisa de pessoas. E pessoas é o que vai escasseando, principalmente os mais novos, que entretanto tiveram que se fazer à vida e procuraram outros lugares.

Somos um país que está muito focado em estratégias e em diagnósticos, em estudos e em relatórios. Somos um país que precisa de muito mais ação e que se foque nos resultados.

No novo Governo, até pela sua dimensão, não faltam membros para atacar estes problemas.

Estamos certos que o que tem faltado é acção e resultados, sabendo nós da dificuldade de atingir resultados, mas sabemos também que a coesão do território só é possível de atingir caso se consiga um país mais equilibrado e menos assimétrico.

 

Até para a semana

 

Rui Mendes