Precisamos muito de “Álvaros”

Crónica de Opinião
Quarta-feira, 17 Abril 2019
Precisamos muito de “Álvaros”
  • José Policarpo

 

 

Hoje venho falar-vos do Álvaro. Lembram-se do então ministro da economia do governo liderado pelo Dr. Passos Coelho, que pediu para ser trado por Álvaro e, logo ridicularizado, pela forma como se deu a conhecer. Mas não é de estranhar num país que está mais preocupado com a forma do que com a substância.

O Dr. Álvaro Santos Pereira, salvo o erro, antes de ser convidado para ser ministro lecionava numa universidade canadiana. Por isso, digo eu, quis introduzir uma nova forma de relacionamento entre a comunicação social e, no caso, o ministro que estava com a obrigação de gerir a pasta da economia. Porém, não obteve sucesso e a sua atuação como ministro nunca foi levada muito a sério.

Na verdade, Álvaro Santos Pereira, hoje como alto quadro da organização para coesão e desenvolvimento económico, OCDE, quis introduzir uma nova mentalidade nos agentes diretamente ligados à economia, empresários, associações públicas e privadas. O objetivo era inverter a balança comercial, ou seja, o país devia tornar-se mais exportador do que importador.

Com efeito, numa conferência de imprensa ou num seminário, o então ministro da economia Álvaro Santos Pereira, aludiu aos pastéis de nata como um produto com grande potencial para ser exportado em massa. A ideia fora logo desvalorizada e ironizada por parte da comunicação social como, também, por alguma oposição político-partidária.

Hoje sabemos que os pastéis de nata são um produto conhecido em todo mundo, sendo mesmo uma imagem de marca do país. O Álvaro tinha toda a razão quando lançou a ideia de se internacionalizar a venda dos pastéis de nata, ao contrário daquilo que pensavam os velhos dos restelo que o criticaram. Por isso, o país precisa muito de “Álvaros” e muito pouco daqueles que, então, o criticaram.