Precisamos tirar lições

Nota à la Minuta
Quinta-feira, 28 Outubro 2021
Precisamos tirar lições
  • Alberto Magalhães

Há uma razão óbvia para que, dissolvida a AR pelo Presidente da República, este tenha de marcar eleições no prazo máximo de dois meses: o equilíbrio de poderes altera-se com a dissolução, ficando o executivo livre da fiscalização do parlamento. A Constituição acautela (e bem) que a situação não se prolongue demasiado.

Mas há quem continue a sugerir que seria conveniente o Presidente atrasar a dissolução para as calendas, deixando o actual Governo a governar por duodécimos até apresentar novo OE. Marcelo, no entanto, prometeu repetidamente que, houvesse chumbo orçamental, ele trataria “logo, logo” (expressão sua) de dissolver a AR. Seria completamente insensato que, depois do Conselho de Estado, marcado para 4ª feira que vem, voltasse com a palavra atrás.

Seria bom, entretanto, que os actores dos acontecimentos dos últimos dias tirassem algumas lições do sucedido, pois o país está a suspirar, desesperado, por novas práticas políticas e talvez seja altura de nos deixarmos de originalidades, de governos minoritários sempre na corda bamba, de geringonças mal-amanhadas, e passemos, pelo menos nos anos mais próximos, a exigir governos maioritários, de coligações com programas bem negociados, de preferência negociados ao centro, moderados e capazes de neutralizar radicalismos, sejam politicamente correctos ou politicamente incorrectos.

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