Primeiro balanço das eleições europeias

Nota à la Minuta
Segunda-feira, 27 Maio 2019
Primeiro balanço das eleições europeias
  • Alberto Magalhães

 

 

Pelos resultados provisórios se pode concluir que as eleições para o Parlamento Europeu, em Portugal – como estava, aliás, previsto – tiveram um claro vencedor: a abstenção. Em cada cem eleitores, apenas trinta cumpriram o seu dever cívico. Uma das causas terá sido o milhão de emigrantes recenseados automaticamente, através do cartão de cidadão. Outras haverá, certamente.

Os trinta porcento que exerceram o seu direito de voto, deram uma folgada vitória ao PS, com cerca de 11 pontos percentuais a mais que o PSD, o segunto partido mais votado. A campanha de Paulo Rangel, só excedida em trauliteirismo pela de Nuno Melo, do CDS, explicará, em parte, o mau resultado de ambas as candidaturas. O comportamento dos dois partidos na crise dos professores terá ajudado.

A campanha de luta maviosa do BE, cheia da ternura de Catarina e da empatia de Marisa, rendeu um terceiro lugar ao partido, esquecida já a indignada defesa do Robles, especulador imobiliário. Como diria Joana Mortágua, “estamos todos convocadas e convocados para responder ao desafio da emergência climática”.

Já o PCP, coligado com um partido verde que não vale um caracol ao pé do PAN, partido dos touros, dos bichanos e dos vegan, confessou lealmente o seu problema, pela boca de um infeliz Jerónimo: a mudança de condições objectivas não favoreceu o Partido. À bela votação que o partido teve no tempo da Troika, sucederam-se o desastre autárquico e o de ontem, que é como quem diz, o PCP floresce nos dias maus e definha quando o tempo melhora.